quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vòdúns, òrísás e Inkisses.


Muitas são as discussões quando o assunto se trata da diferença entre os òrísás, Voduns e inkisses. Sabe-se que os òrísás são deuses de origem iorubá e são a energia da natureza divinizada. Os Voduns são de origem dahomeana e são da mesma forma que os òrísás, energia da natureza porém, outros voduns tiveram vida e morte na terra, se tornando então ancestrais divinizados, havendo ainda outros, que tem seu culto coligado aos animais. E, os Inkisses são deuses originários de Angola, cada um com sua particularidade. A confusão originou-se aqui no Brasil com a mistura de escravos trazidos da África pelos portugueses. Com receio de uma revolução, os colonizadores misturaram diferentes escravos de diferentes países africanos em uma mesma senzala, com o propósito de provocar uma desunião, pois os mesmos não falavam a mesma língua e não cultuavam os mesmos deuses. Pois, foi nessa mistura de culturas e de raças que, ocorreu a união entre os voduns, òrísás e inkisses. Os portugueses queriam catequizar os negros africanos, exigindo que eles seguissem o cristianismo e fossem adeptos a nova religião, acreditando em seus santos e apóstolos. Para não desmerecer os seus deuses e seus ancestres, os escravos sincretizavam suas divindades aos santos católicos, coligando-as conforme lendas e características. Por exemplo, São Jorge é um santo guerreiro, que usava armadura de aço e matou um dragão. Ògún é o òrísá do ferro e do aço e que tem como elemento o fogo(uma vez q o mesmo é usado para forjar suas armas), Gú é um Vodun guerreiro, dono do aço, protetor das aldeias dahomeanas juntamente com Legba, e Roximukumbe é um inkisse guerreiro logo, se todos esses santos eram guerreiros e tinham outras características em comum, passaram a ser um só, dividindo oferendas, cantigas, rezas, cores e passando a ser sincretizados como São Jorge (pelo menos no que se diz respeito ao Rio de Janeiro, pois na Bahia, seria Santo Antônio). A partir daí, houve uma grande miscigenação entre os deuses e, muitos perderam seus costumes, suas lendas e acabaram por aglutinar-se na cultura de outras divindades que possuíam algo em comum. Vale lembrar que, mesmo que possuam características e laços que os unem, essas divindades não são iguais e, cada uma possui um culto e costumes diferentes. Òsóòsí/Òdé não é a mesma coisa que Otolu que por sua vez não é o mesmo que Kabila ou ungunzo, logo òrísás, voduns e inkisses não são a mesma energia e não se tratam de uma mesma divindade.
Com o passar do tempo, e com a busca pelo conhecimento, podemos ver muito nitidamente essa diferença de cultos, existindo pesquisadores e historiadores que através de seus estudos, auxiliam no reavivamento da cultura e, de certa forma, contribuem para que os sacerdotes cada vez mais possam "reciclar sua forma de culto" e ficar mais próximo de sua ancestralidade. É necessário ter mente aberta, revirar o passado, não para passar por cima do legado deixado por nossos ancestrais, mas sim para podermos chegar o mais perto possível de nossa mãe África, reascendendo a essência das divindades das quais cultuamos e servimos. O Candomblé é uma religião afro- brasileira, e não africana, reunindo em uma unica religião toda a história de um continente. 

12 comentários:

  1. Dofona Ti Aziri Tógbòsý27 de agosto de 2009 12:23

    tenhu Orgulho de ser sua filha e de estar no axé Djeje mahii

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  2. adorei todos estão lindos parabéns

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  3. Parabens meu amigo pelo seu trabalho esta muito bom todos os conteudos do Blog que os voduns continuem iluminado vc para vc continhuar contrbuindo para o Djedje Àsé Odara
    sempre Hùngbónò Tolu Befá

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  4. Adorei seu blog...parabéns pelas explicações...fui feita em djedje mais n sei muito sobre minha nação, e aki encontrei muitas explicações... kolofé

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  5. kolofé olorun kolofé irmã!!! Eu que agradeço ppor seu carinho!!! Estou tentando passar um poukinho mais sobre nossa nação, cuja história se perdeu ao longo dos anos. Mas com humildade, estudo e perseverança eu chego lá! obrigado mesmo, é um prazer dividir com vocês!

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  6. Se existem três espíritos do ferro oriundos da África, por exemplo, como se explica o fato de que Ogum responde em Angola e Nkossi responde em ketu ou em djeje ode se cultua Vodun Gu? Inkisse, vodun e Orisà são uma única energia e forças da natureza, cultuadas em locais diferentes, entre os povos bantu, yorubás e dahomey. Claro, mitos podem variar, pois são mitos meramente, costumes e liturgia própria também. Mas, sirè é o mesmo que jamberesu, (pambu njila é primeiro assim como Exú), Lembá, Lissá e Oxalá são o fim de todas as coisas, etc.. Logo, percebe-se que Orixá = Inkisse = vodun. Angola, ketu, djeje, efon, Ijexá, etc, tudo candomblé... As forças da natureza são as mesmas com singularidades, as diferenças são apenas territoriais no que refere á cultura, língua, etc.. Ainda acham que são coisas diferentes, divindades diferentes. Queria entender por que tanta dúvida e confusão em relação a algo tão simples... Só nossa mente atrapalhada bloqueia essas forças seja em que nação for...

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    1. Kolofé irmão ou irmã! Bem, acho que tenho direito a resposta né? rsrsrs Não existe verdade absoluta dentro do culto, até por que não existe uma bíblia ou testamento para que possamos seguir. O fato de eu dizer que não são as mesmas energias, se dá pelo fato de realmente não existir nada em comum entre as deidades citadas. Angola, Dahomé e Ketu são cidades distintas, com cultos, alimentos, costumes, etc. específicos, onde essa mistura ocorreu aqui no Brasil, através dos escravos em suas senzalas. O candomblé é Brasileiro ou Afro-brasileiro, não existindo na África. Na África existe um culto específico para cada divindade em cada território ou aldeia, não tendo essa união de ritos. E para você saber não existe só 3 divindades do ferro como disse em seu comentário, existe várias, cada um em sua aldeia, cada um com seus devotos, cada um do seu modo. Achar que o candomblé é fácil, simples e unir tudo, foi o que nossos ancestrais fizeram, dando origem a toda essa confusão. Não irmão, o candomblé não é simples, ele é mais complexo do que nos é apresentado. Acredito que uma pessoa raspada em Angola, pode ser sim feita de Ògún devido a mistura de culto, afinal vemos casas de Angola cantando até umbanda (não estou "xoxando", apenas citando como exemplo), quando o certo era fazer angorosis e louvar seus Inkisses. Nós somos iniciados em determinadas nações por laço consanguíneo ou ancestral, logo pessoas de Inkisses são de energias oriundas de Angola, Òrísás do território Nigeriano, e daí por diante. Se òrísá, Inkisse e vodun são a mesma coisa, então pra mim as deidades são todas iguais e eu posso dizer que sou raspado de iara, Zeus, poseydon, Thor, etc. Espero que tenha entendido a minha visão, que não é a única, ou a certa, é apenas baseadas em estudos. Um abraço e kolofé!

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  7. kolofe, só uma duvida, por favor me explique se é normal e tão natural um vodun Gu por ex; virar em uma casa de Ketu ou algun inkisii de angola virar em uma casa de djedje; isso pode acontecer ? isso é normal acontecer ? como o Sr, enxerga essa minha duvida/ Obrigado!

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    1. Kolofé Olorun kolofé! Na minha opinião, por mais que sejam divindades de origens e cultos diferentes, ainda possuem características que as unem. Por mais que não exista fundamento ou cantiga específica para fazer um inkisse se manifestar em uma casa de Djeji ou ketu, ele também é uma divindade, uma energia, que independente da nação, é viva e se faz presente quando bem entender. É claro que, para alguns, a manifestação acontece devido a confusão que ainda fazem relacionado aos voduns, Inkisses e Òrísás, porém devemos lembrar que candomblé é culto Afro-brasileiro e não africano, logo a miscigenação do culto e unificação das divindades é um fato existente, independente da bandeira que levantemos. É claro que se um Inkosi se manifestar numa casa de ketu ele dançará para Ògún, se adaptando a tradição que lhe é imposta. O mesmo acontece nas demais nações. Espero ter ajudado de alguma forma, boa tarde!

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  8. Concordo com seu ponto de vista, a cultura precisa ser preservada e a individualidade das divindades precisa ser respeitada. Mas lendo seu texto eu me pergunto: Será que os deuses não queriam exatamente isso: que todos se reunissem como uma família? Poderiam eles ter impedido o processo doloroso e injusto da escravização de povos que os cultuavam, respeitavam e lhes devotavam a vida por milênios?

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    1. Bom dia! Bem, se foi isso que as divindades queriam, aqui no Brasil elas conseguiram rsrs Até por que, devido a miscigenação do culto, fica quase impossível desvinculá-las. Agora, quando o assunto é escravidão, esta já existe em solo africano antes mesmo dos "brancos" por lá chegarem, onde o "negro" escravizava "negro", por disputa de território e especiarias. Então, acredito que não cabia as divindades impedir tal processo. Kolofé, obrigado por expor essas questões importantes para a história do culto.

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