domingo, 16 de novembro de 2014

Nànàn é o mais velho ancestre feminino que se tem conhecimento. Para os povos Fóns, seu poder assemelha-se ao do grande Deus criador do universo, sendo ela filha de Mawú e Lisá (a lua e o sol respectivamente). Sua origem é dahometana onde ela é a mãe de quase todos os voduns. Já na cultura ioruba, Nànàn teria sido a esposa de Òsáàlá e mãe de três òrísás cuja origem também é dahometana: Òmóòlú (Sakpata), Íròkò (Loko) e Òsúmárè (Dan gbesen). Muitos são os ítóns que rodeiam sua passagem terrena, mas tanto em Dahomey quanto em kètú sua importância e poder são sempre destacados. Nànàn é a deusa das chuvas, da lama, do barro. Foi ela que cedeu o barro para que Ògbátáàlá moldasse os seres humanos mas, após o desencarne os corpos voltariam para o seu domínio, ou seja, seriam enterrados. É a senhora da morte e da ressurreição. Mãe da transformação, tendo domínio sobre o culto à Ègúngún e Íyámí Òsòròngá. Seu nome sempre impõe respeito, passando a ser uma divindade temida pelos mais antigos, devido a sua relação com Íkú. Nànàn é a deusa da sabedoria e da ancestralidade; possui certa "quizila" com metal, uns dizem que tal aversão é tida pelo fato de seu culto anteceder o uso do metal, outros dizem, que essa quizila foi após uma guerra com Ògún, o deus do ferro e dos metais, e a partir desse combate, para se mostrar superior e independente de qualquer utensílio coligado ao domínio de Ògún, Nànàn teria abandonado o uso do metal. Para os povos Fón, Nànàn ou Nànà seria um título dado a homens e mulheres sacerdotes da grande deusa lua (Mawú), nascendo devido este fato, uma infinita variação (qualidades) de Nànàn, tanto do sexo masculino quanto feminino.
Nànàn é um Òrísá/Vodun extremamente feminista, não sendo iniciada em neófitos homens e, em alguma casa, não sendo nem feita pelas mãos de homens. Juntamente com Íyóbà, fundou uma das sociedades mais conhecidas, voltadas para o culto aos ancestres femininos e tendo como principal divindade às Íyámí Òsòròngá.
Pelo fato de ser a senhora que possui o domínio sobre a morte, Nànàn é coligada à todos os ancestrais, inclusive a Ègúngún. Devido a todos os mistérios e mitos que envolvem a cultura dessa divindade, muitas pessoas temem Nànàn e evitam inicia-las, acreditando estar iniciando a própria morte.
Para iniciar uma filha de Nànàn, é necessário muito conhecimento, uma vez que meche com toda a estrutura do ásé. Os filhos devem ficar de contra-ègúns e se abster de sexo e bebidas. Os ancestrais devem ser reverenciados, juntamente com Èsú para que tudo possa ocorrer bem. É necessário fazer ípádè com frequência, cercar a casa com ébò, acaçá, ovos, Dèbúrú, etc. e fazer vários èbós, com objetivo de purificar o ambiente e trazer a energia divina dessa grande senhora.
Na cultura ioruba, o culto a Nànàn está completamente ligado a Òmóòlú. Em suas lendas, Nànàn teria abandonado seu filho devido à uma doença contagiosa que o mesmo havia adquirido.

Em sinal de arrependimento, Nànàn fez um cetro de palha chamado íbírí, em forma de uma criança recém-nascida, onde carrega todas as pragas e doenças, mostrando a ligação entre a vida e a morte. É cultuada no Òlúbájé juntamente com seu filho Òmóòlú e todos os demais Òrísás da família da terra.
Variações do culta a Nànàn:
·         Nànàn gbúlúkú- vem nos caminhos de íkú. Nessa forma seria a própria representação da morte, não sendo iniciada. Está relacionada ao princípio do mundo e ao elemento terra. É a mãe para os povos fon. Seria o verdadeiro nome dessa divindade, filha de Mawu e Lisá. Veste branco, palha da costa e muitos brajás;
·        Nànàn Ígbáíyn- vem nos caminhos de Òmóòlú, Òsúmárè, Íyámí Òsóòròngá, Íkú e Òsáàlá. É a mais temida devido a sua ligação com a morte e os ancestrais. Veste branco e azul e representa o centro da terra. É muito quente e agitada, sendo uma grande guerreira. Segundo os ítóns, seria esta Nànàn eu guerreou com Ògún;
·        Nànàn Ádjápá- vem nos caminhos de Òsúmárè, Sàngò e Òíyá. Usa uma coroa de búzios. Rege o fundo dos pântanos e todos os animais que nele vivem. Dona da lama e do barro. Tem como símbolo o ájápá, pois de certa forma, esse animal é um réptil e se arrasta e vive na lama e nos pântanos e, mesmo sendo um dos principais animais sacrificados para Sàngò (òrísá cuja energia é completamente oposta à de Nànàn), também faz parte do cardápio desse Òrísá;
·        Nànàn Ádjáòsí- vem nos caminhos de Íyóbà, Òsún e Íyámí Òsóòròngá. É a guardiã do lado esquerdo (òsí, sendo este o lado vinculado ao gênero feminino, enquanto que o lado direito está vinculado ao gênero masculino), sendo a fundadora da sociedade Ílèkó, juntamente com Íyóbà. Tem muitos fundamentos com as èléíyés. É guerreira e agressiva, sendo extremamente feminista, odiando se quer a presença de homens em seu culto. Mora nas águas e veste azul e branco;
·        Nànàn Òbáíyá- vem nos caminhos de Òsúmárè e Òsáníyn. Nessa fase, Nànàn está ligada completamente ao elemento água. É a senhora das chuvas e temporais, sendo a dona da transformação e da mudança de tempo. Senhora da cabaça e dos búzios. É adornada de brajás e conchas e veste azul e branco;
·        Nànàn Ábènèjí- vem nos caminhos de Èsú, Òsàníyn, Òsúmárè e Íyèmònjá. Senhora das plantas em estado de decomposição que compõem o pântano e, todas as raízes e árvores que fazem parte desse ambiente. Tem ligação com Íròkò e todos os ancestrais. Veste lilás e branco;
·        Nànàn Òmíláré- vem nos caminhos de Òmóòlú, Íyémònjá e Òsáàlá. Nessa fase Nànàn é tida como uma deusa suprema, senhora das águas, responsável pelo abastecimento do mundo através da chuva. Senhoras das plantações e da agricultura, sendo ela que nutre através das águas das chuvas e plantas, evitando que elas morram. Responsável pelo alimento retirado da terra;

Saudação: Sálúbà! Íbírí!
Sincretismo: Santa Ana;
Oferendas: Feijão preto, camarão, cebola, Mugunzá, etc;
cor: Azul escuro e branco, lilás;
Elemento: Terra e água;
Número: 13 (treze);
òdú regente: Òdílógbón;
Algumas ervas: vassourinha, taioba, mostarda, Òsíbátá;
Dia da semana: Sábado.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Kposu, o vodun pantera

Kposu é com certeza uma divindade que até os dias de hoje possui um culto repleto de mitos e mistérios. Com a fluente mistura de ritos, o vodun Kposu passou a ser cultuado em algumas casas de ketu como uma "qualidade" de Òmóòlú, porém nada tem haver com a divindade em questão.
Sabe-se que Yiegú nasceu da relação da princesa Aligbono com uma pantera chamada Gbekpó, adquirindo um extinto meio humano meio animal. Era guerreiro por natureza, a frente de um exercício poderoso, conquistando várias terras,  dentre elas o território que depois foi chamado de Dahomey. Yiegú então,  foi intitulado de Kposu, onde Kpó significa pantera e sú homem, ou seja o homem pantera. Kposu teve um grande legado, deixando vários descendentes em todo Dahomey, formando um clã chamado os filhos da pantera.
Era temido e respeitado devido seu temperamento imprevisível e explosivo. Agia por extinto,  sorrateiramente,  era incansável e destemido. Tantas foram suas conquistas que Kposu foi divinizado,  passando a ser cultuado como um ancestral.
Alguns historiadores confundem a qual panteão pertence o vodun Kposu, uns afirmando ser do panteão Hevioso e outros Sakpata.
O que acontece é que existiram descendentes de kposu em ambos panteões, logo ele pertence tanto ao panteão do trovão quanto da terra.
É um vodun real, usando uma ráfia de palha da costa cobrindo o rosto. Trás em suas mãos armas de guerra, dentre elas as garras de metal, símbolo de sua descendência animal.
"Dança com garras na mão e em certos momentos se transforma em pantera."
Muito se banalizou de seu culto,  mas na verdade é um vodun repleto de fundamentos e raro, por este motivo seus vodunsis são quase extintos.
Representa a luta,  a força,  o poder. Também é caçador,  tendo a propriedade de trazer fartura e abundância. É arredio, gostando de ser agradado de madrugada,  horário onde a pantera é ativa.
Antigamente pouco se falava de kposu e, quando os mais velhos diziam seu nome, tocavam os dedos no chão,  saudando a poderosa pantera, aquela que não tem medo de nada, sendo perigosa por agir conforme seu extinto.
Suas cores ritualisticas são o preto e o coral e seu dia da semana é a terça-feira.
É saudado por Dangbára kpó! Ahoboboy kposu!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Óbà ou Íyóbà

Óbà ou Íyóbà é uma divindade misteriosa, cujo culto se tornou escasso, assim como seus filhos iniciados. Pouco se sabe sobre sua origem, mas contam as lendas africanas que Óbà nasceu do incesto de Òrúngàn em sua mãe Íyèmònjá. Óbà era uma grande guerreira, que não temia ninguém. Tinha prazer em batalhar, travando disputas como muitos deuses. Sua principal batalha foi com Ògún, o senhor da guerra. Antes da batalha, Ògún consultou um gbágbáláwò, que o orientou a fazer uma oferenda no local onde iriam batalhar, constituída de uma pasta feita de quiabo. Assim foi feito e quando começou a batalha, Ògún foi conduzindo Óbà para o local onde tinha essa oferenda. Óbà escorregou e Ògún a possuiu ali mesmo, tornando-se seu primeiro marido. Mais tarde Óbà teria se casado com Sàngò sendo sua terceira esposa. Dividia o coração de seu amado com Òíyá e Òsún, sendo a mulher que o grande rei era mais afastado. Cabia a Óbà prender o rei pela barriga, preparando deliciosos pratos. Mesmo assim, Sàngò ainda dava mais atenção e carinho à Òsún, a mais jovem e bela de suas esposas. Óbà indignada foi até a beira do rio onde Òsún costumava se banhar e se olhar em seu ágbègbè e, perguntou o que Òsún fazia para ter o amor e a atenção de Sàngò. Òsún esperta e maliciosa, aproveitando que estava com um torço que escondia suas orelhas, disse para Óbà que havia cortado sua orelha para preparar o ámálá de Sàngò. Óbà, desesperada para ter a atenção do marido, pôs-se a cortar sua orelha esquerda e enfeitou o prato preferido de seu amado com a iguaria. Sàngò, o rei de Òíyó, quando viu Óbà mutilada e a orelha dentro de sua comida teve repugnação, expulsando Óbà de seu reino e deixando de ser seu marido. Óbà possuída por um sentimento de ódio jura se vingar de Òsún e, parte para cima da grande Íyágbá, armada de sua espada. As duas deusas travam uma terrível batalha que só é interrompida pelos gritos de Sàngò, com voz de trovão, assustando as íyágbás, que correndo apressadas se tornaram dois rios. Na África o rio Òsún e o rio Óbà se cruzam, tendo neste local, águas revoltas e turbulentas, lembrando a batalha das duas divindades. Outra lenda conta que Óbà após ter sido expulsa de Òíyó por ter cortado a orelha, se isola em uma ilha, encontrando lá um grande caçador, com o qual se casa e finalmente encontra carinho e atenção. Torna-se então uma grande caçadora, deixando de guerrear e se dedicando a sua aldeia. Partia para a floresta, mata à dentro, em busca de grandes caças, munida de Òfá (arco e flecha) e Òzí (seta ou arpão).
Após ter sofrido tanto em sua vida amorosa, Óbà um pouco mais velha, em seu isolamento, repudia os homens, se tornando uma divindade feminista, criando a sociedade Ílèkó ou èlèkó que tem como base o culto à Íyámí Òsòròngá, as grandes feiticeiras que representam os ancestrais femininos. É chamada de íyá (mãe) Òsí (lado esquerdo), ou seja, a mãe da esquerda, onde o lado esquerdo dentro do culto está intimamente ligado às mulheres.
Óbà tem um temperamento arredio, sendo muito geniosa e agitada. Seu temperamento iguala ao de Òíyá, tendo muito em comum com a grande deusa dos ventos e tempestades. Óbà é a senhora da cozinha de santo (ílè ídànà), sendo responsável pelo preparo de todos os alimentos e oferendas. Em respeito a seu poder e sua importância, quando cozinhamos para as divindades, colocamos uma vela acesa e um copo com água na cozinha, obtendo dessa forma a permissão de Óbà para fazer o preparo das oferendas. A cozinha de santo é um lugar sagrado, onde existem muitos preceitos para aqueles que a utilizam, sendo manipulada apenas por mulheres. Óbà é a senhora da íyágbásé, mulher iniciada de íyágbá, designada pelos òrísás para cozinhar oferendas e ègbós.

Quando manifestada, sempre aparece tapando sua orelha esquerda. Não usa fílá, sendo uma grande guerreira e caçadora. É cultuada nas festividades de Sàngò, Òdé e na festa das íyágbás. Rege o amor não correspondido e o sofrimento das pessoas que perdem a pessoa amada. Tem ligação com o elemento fogo, pois se trata da senhora do preparo dos alimentos, porém também tem ligação com o elemento água, sendo a senhora das ilhas e penínsulas, regendo também os rios de águas revoltas e a pororoca. É solitária e se aproxima de Nànàn, pois Nànàn é a morte e Óbà a guerra e, guerra e morte andam lado a lado. Senhora dos relacionamentos sérios, do ciúme incontrolável e do lado possessivo do amor. 

Saudação: Óbà Sírè!
Sincretismo: Santa Joanna D'Arc;
oferendas: Abará, acarajé, vatapá, amalá;
cor: coral;
Òdú regente: ògbéògúndá;
Número: 15 (quinze);
Algumas ervas: Nega-mina, catinga-de-mulata, obó...
Dia da semana: quarta-feira.



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mawú, a deusa Lua

Mawú
Mawú seria para os povos fóns a maior divindade do panteão. Seu poder é comparado ao do grande Deus Supremo e em muitos lugares do antigo Dahomey, é o próprio. 
Sabemos que nossa religião é formada por vários povos oriundos de distintos vilarejos na África, logo, existe uma distorção do culto, com informações e lendas que se contrariam. A nação Djedje por exemplo, é formada por descendentes do antigo Dahomey (atual República do Benin), e é composta por histórias contadas por ancestrais de todos os vilarejos que compõem esse país, tais como Allada, Abomey, etc. Por este motivo existe um excesso de cultura e uma eventual confusão relacionada a origem das divindades. Basicamente é como se pegasse o Brasil e transformasse em uma religião e misturasse todos os povos de todos os estados. O resultado seria frevo com funk, samba com forró, os mais variados sotaques e dialetos, e toda a história cultural de cada estado, tais como lendas, fé, devoção, etc. Certamente Mula sem cabeça, Saci, Iara, dentre outros se tornariam deuses e cada descendente de cada estado, contaria sua versão sobre a divindade em questão. Parece confuso, mas foi mais ou menos isso que aconteceu séculos atrás, com a vinda dos negros para o Brasil, escravizados pelos portugueses. Por este motivo, é meio contraditório falar dos deuses africanos, uma vez que no próprio Dahomey existe várias versões para a origem e domínio de seus deuses. 
Mawú por sua vez, em alguns vilarejos é cultuada como filha de Nànàn Gbúlúkú e em outros como mãe. A segunda versão da história é a que me parece mais plausível, então irei redigir assim neste texto. Dangbé, a grande serpente da vida, teria tido quatro filhos, que seriam os primeiros deuses que compunham o panteão Fón: Mawú, Lisá, Aido Wuedo e Dangballa. Mawú seria feminino, a deusa Lua; Lisá seria masculino, o deus Sol; Aido Wuedo seria o arco-íris, o Deus o frescor e Dangballa seria sua companheira, o seu reflexo nas águas. Mawú e Lisá eram muito unidos, sendo as vezes confundidos como uma única divindade, sendo visto desta forma em algumas aldeias que compõe o Dahomey. Mawú e Lisá deram origem a muitas divindades, dentre elas a grande Nànàn gbúlúkú ou Nae Igbayn, e outros deuses que fazem parte diretamente do nosso culto, tais como Gú, Agué, Azansu, Aikuguman, Sogbo, Vodun djó, Legba e Azili (Aziri). Lisá era muito quente e arredio, tendo muitos pensamentos contrários ao de Mawú. Mawú era uma deusa benevolente, calma e que, protegia os seres humanos, trazendo paz e harmonia para a terra. Lisá por sua vez, era muito autoritário, severo e adora punir aqueles que quebravam as regras impostas pelos deuses, castigando-os. Mawú chateada com seu companheiro, se retira da terra e foi residir na Lua. Lisá se sentiu só, e retirou-se também, porém foi morar no sol. Mawú e Lisá todos os dias apareceriam sobre a terra, iluminando o planeta e vigiando de longe seus filhos. Lisá, quente e austero, apareceria de dia, onde a maioria dos seres estão ativos, prestando atenção em tudo o que se passa na terra, e continuaria punindo aqueles que erravam. Mawú apareceria de noite, onde a maioria dos seres descansavam, e traria a paz, a harmonia e o perdão para os que erram. Os seres humanos sentiram falta de Mawú, e clamavam sua volta, pedindo que os ajudassem e que olhassem por eles. Por este motivo, é comum vermos frases ou orações que clamam à Mawú pelos seres da terra, pedindo auxílio, proteção, etc (Máwu mi nô que significa Deus nossa mãe é um termo usado pelos povos fóns que exemplificam essa devoção ao vodun Mawú). Quando os colonizadores chegaram a Dahomey e viram essa veneração pela deusa Mawu, acabaram por definir que a mesma seria a deusa ou deus supremo da região, partindo daí a confusão que compara Mawú ou as vezes Mawú-Lisá como a divindade maior dos povos fóns. 
Segundo as lendas, Mawú e Lisá de tempos e tempos, ainda se encontravam, formando o que é chamado de eclipse, e nesta ocasião matavam as saudades, faziam amor e davam origem a mais voduns. 
Mawú tinha como principal sacerdotisa Nànàn gbúlúkú, que deixou um legado de como sua mãe seria cultuada. Nànàn ou Nànà seria um título dado a toda sacerdotisa da deusa lua, formando um clã feminista, uma sociedade secreta. 
Mawú é o princípio feminino, a deusa do frescor, do perdão. Seria aquela que trás os sonhos para a humanidade. Senhora do descanso, da cura e da fé. Não seria iniciada, uma vez que ao contrário de Lisá, não voltou mais a terra. Muitos sacerdotes, motivados pelo sincretismo religioso e pela necessidade de existir uma comparação entre as divindades da nação djedje, ketu e angola, acabaram por confundir Mawú com Íyèmònjá, por uma ser a mãe de muitos voduns e a outra a mãe de muitos òrísás, passando então a inicia-la em suas casas. Para nós, estudiosos e historiadores, Mawú é um vodun supremo, não tendo como iniciá-la em um neófito, porém, existindo culto e certos fundamentos para tal divindade. 
Mawú sem dúvida é uma divindade de extrema importância, tendo regência sobre a fertilidade, a vida e toda a essência do sexo feminino. Seria ela a divindade da procriação, da gestação e da propagação da vida terrena. Para os mais antigos, a lua sempre foi uma potencial influenciadora nos assuntos terrenos, agindo sobre mulheres grávidas, determinando dias para os ègbós e obrigações, interferindo na maré, dentre outros fenômenos dependentes de ações lunares e que são comprovados cientificamente. Logo, assim como o Sol, a lua possui sua importância, seja cultural ou científica, e sempre foi um astro misterioso, que encantou os seres humanos desde quando foram criados. 
Aho gbo gboy Mawú! Ahooooooooooooooo...




terça-feira, 4 de junho de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Adjahunsi ou Ajaunsi
Seria um vodun de culto da Casa das Minas (Maranhão), oriundo de Savalú, e que teve seu culto assimilado aqui no Rio de Janeiro também. Apesar de ser um assunto polêmico pois muitos acreditam que esse vodun trata-se de uma invenção ou de um pseudônimo de Òlóògúnèdé (Divindade de culto iorubá, cultuado nas casas de ketu), Adjahunsi ou Ajaunsi passou a ter um culto forte e abrangente em muitas casas de culto djedje no Rio, sendo contados ítóns (lendas) que afirmam a existência dessa divindade. 
Segundo os mais velhos, em Savalu, norte de Dahomey, existia um habilidoso caçador chamado Azaká. Esse caçador tinha a responsabilidade de alimentar toda sua aldeia, sendo habilidoso e famoso por sua eficiência. Azaká era conhecido por adentrar a selva, sem medo, passar dias em matas fechadas e depois voltar com caças em grande quantidade ou de grande porte, saciando a fome de seu povo. Era irmão de Agongone e Tôpa, voduns esses que também possuem culto na Casa das Minas e também eram caçadores. Tinha como sobrinhos Azowani e Otolu, e comumente saía para caçar com eles, preparando Otolu para sucede-lo futuramente. 
Certo dia Azaká em uma de suas espreitadas pela mata, encontra uma linda Togbosy (vodun feminino das águas) e encantado, acaba por sucumbir-se ao desejo, tendo relações com a linda mulher. Azaká então, volta a sua cidade, perdendo o contato com essa misteriosa Togbosy, sem saber que daquele encontro surgiria uma vida. Essa Togbosy havia engravidado do habilidoso caçador Azaká, dando origem a Adjahunsi ou Ajaunsi. 
Adjahunsi foi criado no reino das águas, junto as demais Togbosys. Rapidamente, mostrou-se ser habilidoso para caça e para pesca. Vivia a maior parte de seu tempo a pescar, se aventurando nos rios mais revoltos, onde vivem os maiores peixes. Usava como artefatos um arpão que tanto servia para pescar quanto para caçar nas matas e uma rede (dam). Aprendeu os segredos das Togbosys e por esse motivo não poderia mais sair do reino das águas, sendo sempre cultuado junto a elas. 
É fato que sua lenda é muito parecida com a história contada sobre o òrísá Lògún-èdé, onde Azaká (o caçador) seria Òdé e a Togbosy (ninfa das águas) seria Òsún. Porém devemos lembrar que muitos voduns por mais que tenham características em comum com os òrísás, são divindades a parte, devendo ser assim cultuadas. Sogbo tem muito haver com Sango, Vodun Djó é parecida com Òíyá, Agué similar a Òsàníyn (...) e por mais que dividam lendas, costumes e cores, são divindades diferentes. 
Contam outras "estórias", que Ajaunsi seria um apelido dado por "malukos" (erês) a uma mulher de Salvador que, iria se iniciar no Ketu para o òrísá Lògún-Èdé e, que acabou por se iniciar no Bogun para Òdé.
Outros afirmam que, por Lògún-èdé ser um Òrísá de culto Ketu e, por razões específicas, não ter espaço para culto nas casas matriz de djedje, Adjahunsi seria uma forma de iniciar seus filhos no culto, disfarçando-o de vodun, tendo desta forma menos preconceito para cultuá-lo.
Sendo Lògún-Èdé disfarçado ou sendo vodun a parte, Adjahunsi acabou ganhando espaço no culto, tendo cantigas e fetiches que o difere do òrísá em questão, passando a ter muitos filhos e ritual próprio, por mais que exista uma grande mistura e confusão entre culto ao òrísá e culto ao vodun. 
Adjahunsi, assim como o vodun Azaká, pertence ao panteão de Sakpatá, rei de Savalú. É cultuado nos rios revoltos e agitados, onde existem os mais variados tipos de peixes dos mais variados tamanhos. Mesmo sendo um hábil caçador, não pertencia ao clã dos Hundevalú (título dado aos grandes guerreiros-caçadores), pelo fato de não ter conhecido seu pai Azaká, não possuindo então nenhum vínculo com o grande caçador de Savalú.
Adjahunsi pertenceria a um outro Clã, chamado de Adjahun, onde faziam parte os pescadores das águas doces, que exploravam os rios e alimentavam suas aldeias-cidades com pesca. 
Seria comumente confundido também com o vodun Averekete, porém nada tem em comum, a não ser o fato de serem pescadores, um dos rios e o outro dos mares. 
Dentro do culto, Adjahunsi é um vodun jovem e alegre. Seria responsável pelo aprendizado das crianças, ajudando-as em sua fase de crescimento e ensinando-as a falar, brincar e se desenvolverem. Rege a  pureza, a inocência e a alegria, protegendo todas os jovens e tendo a propriedade de manter a juventude dentro de cada ser humano, independente de sua idade.
Pertencem ao seu domínio os rios revoltos e todos os animais que vivem tanto nas águas quanto na terra, tais como anfíbios, répteis e alguns pássaros. 
Trás consigo o arpão, a rede, vara de pescar, anzóis e penas. Veste Azul em sua maioria e em todas as tonalidades, com alguns detalhes pratas e dourados. 
É cultuado nos rituais aos voduns das águas, sempre estando ao redor das Togbosys. Recebe como oferendas peixes de água doce, grão de bico, ovos, frutas e doces. 
Ahoooooooooo!!!!

sexta-feira, 19 de abril de 2013


Áíyrá
Hoje em dia no Brasil falar de Sàngò sem falar de Áíyrá é quase impossível por seus cultos estarem interligados. Os sacerdotes desprovidos de cultura, cultuam Áíyrá como uma qualidade de Sàngò o que não está completamente errado, uma vez que com o passar dos tempos,  o modo de tratar desse òrísá foi perdido e junto sua identidade, absorvendo muito dos aspectos de Sàngò. Porém, alguns sacerdotes vêm resgatando o culto a essa divindade, trazendo a público suas cantigas, suas variações e seus rituais, deixando bem claro a diferença entre ambos.
Áíyrá é originário de Sávé, província que faz divisa com Dahomey, sendo chamado lá de Sádántàn (Xadantã). O território de Sávé foi invadido e dominado por Sàngò, tornando-se mais uma província de Òíyó. Seus habitantes foram escravizados e Áíyrá passou a servir Sàngò. Em pouco tempo, Áíyrá ganhou a confiança do rei e passou a liderar o exército de Òíyó, sendo a segunda pessoa mais importante do reino. Contam às lendas que Òsáàlúfón, o rei de Ífón, que era muito amigo de Sàngò, viria a Òíyó fazer uma visita ao grande Ògbá. Antes, como o manda o costume africano antes de fazer grandes viagens, Òsáàlúfón procurou um gbágbáláwò para consultar o Ífá. No jogo Èsú pediu que fosse agradado antes de partir e ainda mandou Òsáàlúfón levar consigo sabão da costa e duas mudas de roupas limpas. Òsáàlúfón acatou a mensagem de Ífá, mas como era teimoso, negou a agradar Èsú e partiu levando consigo apenas uma muda de roupa e o sabão da costa. Èsú se sentiu ofendido e estava disposto a transformar a viagem do grande òrísá um verdadeiro inferno. Òsáàlúfón começou sua viagem, montado em cavalos brancos quando deu de frente com um homem velho, de roupas surradas, carregando um barril pesado de dendê. Òsáàlúfón, òrísá da bondade e da pureza, pôs-se a ajudar o homem a carregar o barril quando, de uma só vez, em um movimento rápido, o homem vira o barril em cima de Òsáàlúfón, sujando toda a sua veste branca. O homem mostrou sua verdadeira face, ele era Èsú, em sua forma Èsú Ákúpá, o senhor do dendê, que gargalhando e zombando de Òsáàlá, disse que o mesmo tinha virado farofa de Èsú. Òsáàlá, senhor do branco extremo, tinha como uma de seus principais èwós o dendê e, enquizilado, foi até o rio mais próximo, tomou o banho com o sabão da costa, vestiu a muda de roupa limpa que tinha levado e fez um ègbó com a roupa suja, dando nós e jogando ao rio. Òsáàlúfón continuou sua viagem quando mais uma vez deparou-se com um homem, só que esse carregava um pesado saco de carvão. Òsáàlúfón ficou receoso em ajudar o pobre homem, pois tinha acabado de ser enganado por Èsú, mas dotado de uma bondade infinita, pôs-se a ajudar novamente. Mais uma vez o homem era um dos disfarces de Èsú, em sua forma Èsú Èlèdú o senhor do carvão, furando o saco e sujando toda a suas vestes, gargalhando e zombando de Òsáàlúfón, dizendo que o mesmo tinha tornado um Ègbó. Òsáàlá também tinha como èwó o carvão, mas como havia contrariado as ordens de Ífá levando só uma muda de roupa, não tinha como se trocar. Por estar já na fronteira com Òíyó, resolveu continuar a viagem, e quando chegasse ao território de Sàngò trocaria sua roupa e se banharia. Com a proximidade de seu objetivo final, Òsáàlúfón se depara com dois lindos cavalos perdidos nos arredores de Òíyó. Foi quando reconheceu os animais, pois ele mesmo os havia dado para seu amigo Sàngò de presente. Acreditando estar levando os cavalos novamente para o grande Ògbá, Òsáàlá conduz os animais para Òíyó quando é surpreendido por Áíyrá e parte de seu exército. Acontece que existia um ladrão de cavalos na região e, deixar os animais como se estivessem perdidos fazia parte de uma armadilha de Áíyrá para pegar o ladrão. Òsáàlúfón foi confundido com o ladrão e imediatamente preso. Ele afirmava ser Òsáàlá, o rei de ífón, mas Áíyrá não acreditou. Como poderia o grande òrísá do branco estar sujo como um mendigo? Òsáàlá foi jogado no calabouço e ficou por lá longos sete anos. Durante esse período, Òíyó passou por momentos ruins, sofrendo com seca, fome, mulheres estéreis, pragas e doenças. Sàngò não sabia mais o que fazer e desesperado procurou um gbágbáláwò para ver o que Ífá o aconselharia. O òdú Èjílásègbòrá mèjí disse para o grande rei que o mesmo estaria cometendo uma grande injustiça e, como poderia o justiceiro de Òlóòrún ir contra a sua virtude. Mandou Sàngò procurar entre seus presos, pois lá encontrava um poderoso òrísá e, que fizesse de tudo para agradá-lo, pois só assim seu reinado voltaria a ser como era antes. Sàngò no mesmo instante foi em seu calabouço e de longe reconheceu seu amigo Òsáàlá, sujo e debilitado. Seus olhos cravejaram de lágrimas e sua ordem foi única: “Ordeno todos os habitantes de Òíyó, a ir aos rios mais límpidos e transparentes, para pegar água e banhar o grande rei de Ífón. Todos devem trajar branco em sua homenagem”. Assim foi feito e, todos seus súditos trajando branco, trouxeram em porrões enfeitados com laços, as águas dos rios. Fizeram um grande banquete para agradar o grande Òsáàlá a base de bastante inhame pilado, ègbò, acaçá, vinho de palma e como tempero apenas o azeite de oliva, substituindo o sal e o dendê. Sàngò para corrigir seu erro, castigou Áíyrá, seu fiel aliado que passaria a servir Òsáàlúfón em seu reino e, deveria levar Òsáàlá nas costas de Òíyó à Ífón. Assim foi feito e antes de chegar a Ífón, Òsáàlá ainda passou por Èjígbò, terra de seu filho Òsóòguíyàn, onde foi ovacionado com uma grande festividade.
Essa lenda conta um pouco da história desse grande Òrísá chamado Áíyrá que, passou a vestir branco e servir Òsáàlá em ífón. Áíyrá não usa ádè (coroa) pois não é considerado rei. Usa torço ou filá e em suas mãos carrega um sérè prateado, uma chave e um òsè somente (em algumas casas não usa òsè). Não come dendê e nem sal e seu ámálá é feito com peito de frango e quiabos cortados em lascas. É o senhor do ájègbó e da fava de árídàn. Sua gamela é redonda e seu ígbá coberto com tampa de metal. Tem propriedade sobre o òrí das pessoas, mantendo o equilíbrio do corpo sobre a terra. É o senhor das comueiras, tendo a responsabilidade de manter a casa equilibrada, olhando pelo sacerdote, todos seus filhos e clientes. Muito tem em comum com Sàngò devido a mistura de cultos, porém tem vestimenta, cantiga, rezas, oferendas, ritos e fundamentos à parte.
Uma das principais homenagens à esse Òrísá é a fogueira de Áíyrá (também chamada fogueira de Sàngò), que é feita em junho, próximo a data de comemoração à São João, santo católico com o qual Áíyrá é sincretizado. Dança Álújá e Águéré e, caso Òsáàlúfón estiver manifestado, o carrega nas costas, lembrando sua história terrena.
Algumas Qualidades de Áíyrá:

·        Áíyrá Íntílè- vem nos caminhos de Íyèmònjá, Òsún e Òsáàlá. Não é colocado em cima do pilão. É essa qualidade de Áíyrá que carrega Òsáàlúfón nas costas. Teria tentado por Òsáàlá contra Sàngò dizendo que o mesmo era o verdadeiro culpado de Òsáàlúfón ter passado sete anos preso em Òíyó. Trás em suas mãos um Òsè de madeira;
·        Áíyrá Mòdé- também chamado de Álámòdé ou ígbòmín, vem nos caminhos de Òsún, Íyèmònjá, òdé e Òsóòguíyàn. É o companheiro de Òsóòguíyàn nas batalhas. Veste branco e azul, usa filá e trás em suas mãos um èrúkèrè. Tem ligação com as águas de rios e açudes. Domina as chuvas e os trovões e representa a luz que clareia os céus quando relampeja;
·        Áíyrá Ígbònàn- também chamado de òmóíjí, esse Áíyrá vem nos caminhos de Ògún, Òsáàlá, Sàngò e òíyá. É considerado o pai do fogo e é o senhor da fogueira. É enquizilado e arredio, podendo cuspir fogo pela boca e narinas assim como Ígbárú. É o senhor do fogo azul e veste branco com adornos azuis. Carrega uma chave nas mãos;
·        Áíyrá Òsí- também chamado de Ádjáòsí, vem nos caminhos de Ógbà, Sàngò e Òsáàlá. Nessa fase, Áíryá é devoto de Sàngò, servindo fielmente o grande rei. Foi casado com Ógbà e em outras lendas teria sido amante. É dono do camelo e de todos os animais que vivem no deserto. Senhor do deserto e das regiões áridas;
·        Áíyrá Áíyrá- vêm nos caminhos de Òsáàlúfón, Òsáàguíyàn e Ògún. É chamado apenas de Áíyrá, pois seria a essência das demais variações. Veste branco ao extremo e é completamente ligado à Òsáàlúfón. Seu assento fica no quarto de Òsáàlá, em cima de um pilão de madeira crua. É necessário assentar para os filhos desse Òrísá Ògún Ájá e Òsáàlúfón, pois sem esses Òrísás seus filhos não tem caminho;
·        Áíyrá Òsúgbúrú- vem nos caminhos de Èsú. Representa o arrependimento de Áíyrá por ter cometido o grande erro de ter preso Òsáàlá por engano e ter feito o mesmo ficar preso durante sete anos nos calabouços do reino de Òíyó. Não é iniciado e veste preto;
Saudação: Áíyrá lè!
Cor: vermelho e branco;
Sincretismo: São João Batista;
Elemento: fogo;
Número: 06 (seis), 08 (oito) e 12 (doze);
Òdú: èjíònílè;
Dia da semana: quarta-feira;
Oferendas: ámálá, ájègbó, acaçás, ègbò, frutas, doces, èmú, frangos, galinha d’angola, cabritos, cágado, pombos, etc.;
Ervas: folha do caruru, alevante, erva-de-São-João, íròkò, algodão, etc.


quinta-feira, 18 de abril de 2013


Òsáàlá é um assunto muito complexo dentro do culto. Todo òrísá fúnfún, ou seja, pertencentes à classe dos òrísás presentes desde o início do mundo e que veste branco, são considerados um Òsáàlá. Nesse caso, Ògbáàtálá, Òdúdúwà, Òràníyàn, Ájálá, Ísálé, Òsáàlúfón, Òrúnmíllá, Òkò, Òlóòròkè, Èfèjó, Ákànjápríkú, áròwú, Òsáàguíyàn, dentre outros, são Òsáàlás e cada um possui uma história dentro do culto e foram grandes reis, fundadores de povoados e vilarejos.
Os mais conhecidos Òsáàlás são Òdúdúwà o fundador de Ífé e Ògbáàtálá o fundador de Ágbéòkútá e governante supremo dos povos Ígbò. A disputa entre esses dois òrísás pela criação do mundo, pelo domínio da terra e pelo poder absoluto, foi o tema de várias lendas africanas. Na África o nome Òsáàlá é diretamente ligado à Ògbáàtálá, aquele que segundo os mais velhos foi incumbido pelo próprio Òlóòrún ou Òlóòdúmárè (o deus supremo) de criar o mundo e a humanidade. Já aqui no Brasil, o nome Òsáàlá está diretamente ligado à Òsáàlúfón, o senhor da cidade de Ífón.
Òsáàlúfón seria o grande rei, filho de Ògbáàtálá e herdeiro da terra, sendo chamado de Òlú Áíyè (senhor da terra). Assim como seu pai, carrega em suas mãos o Òpáàsòrò, cajado feito de estanho, símbolo da Supremacia e da hierarquia.
Foi casado com Nànàn e Íyèmònjá e seu culto é expandido até mesmo entre os dahometanos e os demais povos africanos. Muitas são as suas lendas, relatando detalhes de sua vida poligâmica, mas sempre deixando claro o quanto era bom, justo e sensato. Tinha o poder supremo, sendo respeitado por todos os demais ímòlés. Munido de seu cajado de estanho e vestes brancas como a nuvem, Òsáàlúfón representa a figura de um ancião, sábio, senhor da integridade e digno de respeito.
Às vezes se mostra ranzinza e enquizilado. Gosta de tudo em ordem, limpo e organizado. Sempre fazia visitas a seus filhos e amigos, sendo mais agarrado à Òsáàguíyàn, que herdou a linhagem dos òrísás fúnfún. Certo dia visitou Sàngò nas terras de òíyó e acabou por ser vítima de uma armadilha feita por Áíyrá, líder do exército da cidade, sendo confundido com um ladrão e largado na prisão por longos sete anos. Sàngò após ter visto o erro que seu exército cometera com o grande Òsáàlá, mandou que todos os habitantes de Òíyó se vestissem de branco, fossem aos rios mais próximos e trouxessem águas cristalinas, banhando Òsáàlúfón e fazendo uma grande festa, repleta de ègbò, acaçá e demais iguarias temperadas apenas com azeite de oliva. Até hoje esse ritual é repetido e os barracões celebram “As águas de Òsáàlá”, onde os adeptos se vestem de branco, rezam e levam água em quartinhas, lavando os assentamentos e o quarto de Òsáàlá e depois fazem uma grande festa em homenagem ao senhor de Ífón. Após o erro ser corrigido, devido a sua debilidade nas pernas agravada pela prisão e maus tratos, Òsáàlúfón mal andava. Áíyrá por sua vez, foi castigado por Sàngò, tendo que carregar Òsáàlúfón até Ífón nas costas e passando a servi-lo, sendo seu cervo.
Nànàn foi à primeira esposa de Òsáàlúfón. Ela era de Dahomey, cidade que fazia fronteira com Ífón. Com Nànàn, Òsáàlá teve três filhos: Òmóòlú (Sakpatá), Òsúmárè (Ákólò Gbèsén) e Íròkò (Lòkò), voduns dahometanos que passaram a ser cultuados pelos iorubas. Depois, Òsáàlá se casou com Íyèmònjá, a grande filha de òlóòkún, tendo com ela Òsáàguíyàn, Òsànýn, Òkò, Ájè Sálúgá, Òsún, Òíyá, Ógbà e os gêmeos Ígbèjí. Alguns ìtàns revelam divergências entre as esposas de Òsáàlá, sempre disputando o amor e a atenção do marido. Nànàn era a mais velha e Íyèmònjá a mais nova. Certo dia Òsáàlúfón partiu para uma viagem que levaria sete dias. Íyèmònjá convenceu Nànàn a tomar banho de lama para rejuvenescer e melhorar a aparência. Enquanto Nànàn ficou sete dias no pântano, Íyèmònjá se banhava com água fresca, se enfeitava e se perfumava, aguardando o retorno de Òsáàlá. Sete dias se passaram e Òsáàlúfón voltou para o palácio, sendo recebido por Íyèmónjá, trajada com uma linda veste branca, limpa e perfumada. Íyèmònjá indagou sobre o estado mental de Nànàn, dizendo para Òsáàlúfón que a mesma estava ficando caduca, pois ficou sete dias no pântano junto com cobras e sapos. Òsáàlá foi averiguar e se deparou com Nànàn imunda, dentro do pântano, vestida com uma roupa suja e coberta de lodo. No mesmo instante Òsáàlá repudiou Nànàn, separando-se da íyágbá.
Outras lendas contam uma eterna rivalidade entre Èsú e Òsáàlúfón. Èsú era o grande mensageiro de Òrúnmíllá e para os òrísás receberem mensagens de Òlóòrún
dependiam de Èsú. Todos rendiam homenagem ao grande poder de Èsú, porém Òsáàlúfón orgulhoso recusava-se a reverenciar Èsú, até por que Èsú era o seu avesso, gostando de tudo o que era Èwó para Òsáàlá (dendê, òtín, carvão, sal, fumo, preto, etc). Em uma determinada ocasião, Òsáàlúfón e Èsú discutiam quem era o mais antigo no mundo. Èsú afirmava ser ele o mais antigo e Òsáàlúfón negava, afirmando já existir no Òrún antes de Èsú e a terra serem criados. O desentendimento entre eles foi tão grande, que os dois òrísás foram convidados a lutarem entre si, diante dos demais ímòlés, reunidos numa assembleia. Como o de costume, Èsú e Òsáàlá consultaram Ìfá antes do confronto. Eles foram orientados a fazerem determinadas oferendas. Èsú confiante que venceria o ancião, não quis perder tempo fazendo oferendas e foi para a Praça de Ífé, local da luta. Òsáàlúfón fez todas as oferendas prescritas e também se dirigiu ao local. Èsú contava com seus talismãs e sua magia para derrotar Òsáàlá e Òsáàlúfón apoiado em seu Òpáàsòrò estava confiando em sua sabedoria e em seu poder. Começa a batalha e Òsáàlá pega Èsú e lhe dá uma palmada, fazendo com que caia no chão machucado. Èsú se levanta e Òsáàlá torna a lhe bater, dessa vez em sua cabeça, transformando-o em um anão. Èsú se sacudiu e voltou ao tamanho normal. Òsáàlá então pegou a cabeça de Èsú e a sacudiu com força e violência, fazendo com que ela ficasse enorme, maior que seu corpo. Èsú esfregou a cabeça com as mãos e recuperou o seu tamanho natural. Foi então a vez de Èsú que, pegando uma cabacinha, abriu-a repentinamente na direção de Òsáàlúfón, saindo de dentro uma fumaça branca, descolorindo Òsáàlá. Òsáàlúfón se esfregou repetidamente para voltar a sua cor normal, mas foi em vão, ele não conseguia retornar a sua cor natural. Òsáàlúfón então desfez seu turbante enrolado sobre a cabeça e, daí, tirou o seu poder, um talismã, tocando com ele em sua boca e chamando Èsú que como uma marionete, ficou sobre o controle de Òsáàlá, fazendo tudo o que lhe era mandado. Todos então reconheceram o poder de Òsáàlá, afirmando que ele era maior que Èsú e os demais òrísás, que ele sim era o òrísá mais antigo e poderoso.
Òsáàlúfón tem como principal símbolo seu cajado, o Òpáàsòrò. O Òpáàsòrò é a insígnia do poder e da hierarquia. Seria ele o divisor de águas, representando o Áíyè (terra), o Òrún fúnfún (espaço sagrado reservado para os inocentes, os sinceros e aqueles que tenham pureza em suas intenções) e o Òrún Márè         (espaço sagrado reservado para os seres perfeitos e absolutos sobre o céu e a terra, onde fica Òlóòrún e os demais òrísás). É o senhor da procriação, responsável pela continuação e propagação da espécie, sendo o senhor do sêmen. Tem como principal oferenda o Ígbí (caramujo) e o Ílé (pombo branco). Seus animais a serem sacrificados, ao contrário dos demais ògbórós (òrísás masculinos) são fêmeas, simbolizando a união entre os sexos e a procriação. É sincretizado como Nosso Senhor do Bom Fim e seu principal ritual é as águas de Òsáàlá. Na Bahia, no dia do Senhor do Bom Fim os adeptos vão até a igreja de mesmo nome, trajando branco e portando jarros com águas e flores, lavando toda a escadaria da igreja e fazendo suas oferendas. Usa fílá por representar o mistério e o respeito. Senhor da sabedoria e da liturgia, sendo o òrísá mais respeitado dentro todo o culto, reverenciado até mesmo pelos demais òrísás que, se manifestam quando são entoados cânticos ou rezas para o grande Òsáàlá, o maior entre todos os òrísás.
É o ultimo Òrísá cultuado nos dias de festa, encerrando o culto.
 Suas qualidades são:
  • Ògbáàtálá- é o mais velho dentre todos os Òsáàlás. Seu nome é a aglutinação das palavras Ògbá – rei, tý – de e álá – pano branco, ou seja, o rei do pano branco. É o guardião cívico, protetor dos templos e cidades. Representa as massas de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo. Disputa com Òdúdúwá o posto de criador da terra, sendo aquele que recebeu a devida missão. Pai de muitos òrísás fúnfún, dentre eles Òsáàlúfón. É o Òsáàlá mais conhecido dentre todo o território africano, sendo um dos grandes deuses iorubas;
·        Òdúdúwà- é segundo as lendas o fundador de Ífé, o berço do mundo. Muitos são seus mitos e em alguns vilarejos africanos é cultuado como Òdú ou Òdúwà, a senhora da cabaça, aparecendo no aspecto feminino e tendo grandes vínculos com as Íyámí. No território de Ádò, Òdúdúwà é indiscutivelmente íyágbá, sendo a esposa de Ògbáàtálá e dividindo com ele o poder do mundo, representado pela cabaça, cuja parte de cima é masculina e pertence à Ògbáàtálá e a parte de baixo é feminina e pertence à Òdúdúwà.  Já em Ífé e na grande maioria do território africano, Òdúdúwà aparece no aspecto masculino, sendo o pai de muitos òrísás, dentre os quais se destacam Ògún, Òdé, Èsú, Òkèrè, etc; 
·        Gbágbá Áfúrú- demarcação qualificativa dos caminhos de Òsáàlúfón, onde nesta fase Òsáàlá é completamente coligado ao elemento ar, representando o sopro divino (èmí), usado por Òlóòdúmárè nos seres humanos com a finalidade de dar-lhes a vida. Senhor da atmosfera e do oxigênio, tendo a propriedade de fazer com que o ar da terra nunca acabe. Rege os pulmões e os demais órgãos ligados a respiração. Representa o último suspiro, sendo responsável também pelo desencarne, estando ligado tanto a vida quanto a morte;
·        Gbágbá Òfúríkàn- também chamado de Fúríkàn ou Òdídè, essa fase de Òsáàlúfón é responsável pela aceitação e transporte de tudo o que é oferecido para os Òrísás. Antes de se entregar ou levantar qualquer oferenda ou ègbó, bate-se três vezes com a mesma no chão, dizendo-se “òdídè òdídè Ágò!”, desta forma pedindo licença á Gbágbá Fúríkàn. Senhor do descanso e do repouso, responsável por repor as energias, através do sono;
·        Gbágbá Òdè- Fase de Òsáàlúfón ligada diretamente à velhice. É responsável pelo bem estar e pela boa qualidade de vida dos idosos. Senhor da sabedoria dos anciãos, fazendo com que sejam respeitados por suas experiências de vida. Tem a propriedade de proteger os mais velhos, cobrando diretamente aqueles que maltratam e desrespeitam os idosos. Rege o lado infantil da terceira idade;
·        Gbágbá Òlètúndè- fase de Òsáàlúfón ligada ao corpo e ao caráter. Rege a individualidade do ser humano, frisando a tese de que ninguém nesse mundo é igual, todos são diferentes. É o dono das impressões digitais e dos dedos das mãos. Senhor da honestidade e da integridade, castigando os que vivem a margem da sociedade;
·        Gbágbá Èpá- fase de Òsáàlúfón ligada diretamente ao Ògbí (noz de cola). Rege todos os rituais onde esse fruto é consagrado e ofertado, respondendo diretamente por todos òrísás no jogo de ògbí. Foi ele que ofertou o ògbí roxo para Èsú e Íyá Tònàn. Sua principal quizila é o òkòtílé (broto do ògbí) e, por este motivo é que os tiramos do Ògbí antes de ofertar à òrí, ígbá, ídí òrísá e oráculos;
·        Gbágbá Ápáàlá- fase de Òsáàlúfón coligada diretamente aos caminhos de Sàngò e Áíyrá. Rege o lado positivo de Áíyrá, tendo-o como seu principal e leal servo. Este Òsáàlúfón representa o ítàn cujo Òsáàlá é carregado até seu castelo em Ífón por Áíyrá. Possui como símbolo o ponto central do Òsè (machado de duas lâminas);
·       Gbágbá Ájálá- senhor do òrí, sendo chamado de gbágbá òrí. É o senhor de todas as cabeças, responsável por modela-las e protege-las. Segundo os ìtàns, antes do ser humano vir a terra, ele escolhe seu òrí na prateleira de Ájálá e logo depois recebe o èmí (sopro da vida dado por Òlóòrún). Após receber o èmí ele vai até ònígbòdè (o guardião do outro mundo) e se apresenta, relatando tudo o que vai fazer e ser na terra, podendo depois nascer. Ájálá não é uma qualidade de Òsáàlúfón e sim um òrísá a parte coligado a sua cultura por ser um Òsáàlá, ou seja, um òrísá fúnfún. Não é iniciado em nenhum neófito, sendo cultuado no ígbá òrí juntamente à Ìyá Másè;
·       Gbágbá Ísálé- òrísá fúnfún a parte, não sendo uma qualidade de Òsáàlúfón. Muito velho e poderoso, Ísálé é o senhor da humanidade, responsável pela sua evolução e por sua continuidade, evitando catástrofes e doenças que poderiam de uma vez só erradicar a vida humana na terra. Recebeu diretamente de Òlóòrún a missão de proteger os seres humanos e fazer com que caminhemos corretos para com as leis divinas e os mandamentos do Deus Supremo;
·       Gbágbá Lèjúgbè- Também chamado de òrísátèkó, vêm nos caminhos de Áíyrá, Íyèmònjá e Òdúdúwà. É um Òrísá fúnfún a parte coligado a cultura de Òsáàlúfón por ser muito velho e devagar. Tem como principais oferendas carnes brancas. É o grande Òsáàlá cultuado na região de Sávé que fazia parte da comitiva de Òdúdúwà;
·       Gbágbá Ájáguèmó- Òsáàlá cultuado em Èdé, tendo um culto a parte e sendo um antigo òrísá fúnfún. Tem como maior símbolo o Águèmó (camaleão), animal de extrema importância para os iorubas e presente desde o inicio do mundo. Conhecido por anualmente promover um “combate de mímicas” disputado entre Gbágbá Ájáguèmó e Òlúníwí;
·       Gbágbá Álásé- Òsáàlá cultuado em Ípòndá. Òrísá fúnfún responsável por abastecer o mundo através das chuvas. É o grande salvador da humanidade, pois quando a terra passava por um grande período de seca, foi Gbágbá Álásé que fez chover e salvou os seres humanos. Cultuado como o senhor das nuvens;
·       Gbágbá Òkò- também chamado apenas de Òkò ou Òlágbírín, é um òrísá fúnfún presente desde o principio da humanidade. Vêm nos caminhos de Ògún, Òsànýn, Òsóòsí e Òmóòlú. É o grande senhor dos campos, da agricultura, das sementes e das favas. Segundo as lendas, Òkò ganhou de Ògún ferramentas para poder arar a terra, facilitando o plantio e o cultivo dos vegetais. Responsável por tudo o que a terra oferece como refeição, tendo a propriedade de trazer o alimento à mesa de cada ser humano. Usa cajado de madeira e uma flauta de osso. Também era um exímio caçador, que transportava as riquezas do campo para a sua casa;
·       Gbágbá Ákànjápríkú- Òrísá fúnfún originário das terras de Ífón. Seria um Òsáàlá muito velho e arredio, cultuado inicialmente na casa do Òpò Áfónjá - BA. Está presente desde o início do mundo e representa os antigos anciãos e a sabedoria dos mais velhos. Tem fundamento com a ancestralidade, sendo cultuado aos pés do Íròkò, árvore da qual se tira a madeira para a construção de seu cajado;

Saudação: Èsè ò èpá gbágbá! Ímòlé! Lésé Lésé!
Cor: branco;
Filiação: Ògbáàtálá;
Sincretismo: Senhor do Bom Fim;
Elemento: ar, terra e água;
Número: 10 (dez) e 16 (dezesseis);
Òdú: Òfún e Áláàfíá;
Dia da semana: sexta-feira;
Oferendas: acaçás, ègbò, frutas, doces, èmú, galinha d’angola branca, cabras, frangas, pombos, ovelha, ìgbí, etc.
Ervas: Manjericão branco, colônia, folha da costa, malva branca, algodão, boldo, barba de velho, alecrim, alfavaca, etc.


Òsáàguíyàn 
Trata-se de uma divindade fúnfún jovem, filho de Òsáàlúfón e Íyèmònjá. Seu nome era Ákínjòlè, mas passou a ser chamado de Òsáàguíyàn, Òguíyàn ou Òsóòguíyàn, pois gostava muito de íyàn (inhame). Nasceu em Ífé, muito antes de Òsáàlúfón conquistar a cidade de Ífón. Por ser um grande guerreiro, decidiu ter seu próprio reino, partindo acompanhado de seu amigo Áwòlèdjè, um grande gbágbáláwò, que sempre o aconselhava durante sua trajetória.
Ficou conhecido nas terras de Ògbómónsó como Èlèmòsó, o senhor dos belos ornamentos, devido a sua linda roupa de guerra, toda em metal e prata.
Òsáàguíyàn chegou até as terras de Èjígbò, destronando o rei e tomando a cidade para si, sendo titulado de Èlèjígbò, o senhor das terras de Èjígbò. Áwòlèdè, seu amigo e conselheiro, mandou Òsáàguíyàn fazer determinados sacrifícios e oferendas para que suas terras prosperassem e seu reino fosse conhecido. Assim foi feito e, todos ouviam falar de Èjígbò e de seu grande rei, o comedor de inhame pilado. Com a glória e o poder, Òsáàguíyàn passa por mudanças de comportamento, forçando Áwòlèdè a seguir viagem para outras terras. Èjígbò cresceu mais e mais, se tornando uma das terras mais ricas e prósperas de toda a África.  
Certo dia Áwòlèdè retornou a Èjígbò, mas não foi reconhecido pelos guardas reais e foi mal recebido, sendo espancado e preso no calabouço do castelo.
Áwòlèdè, mortificado com os maus tratos, resolveu usar sua magia para castigar o reino de Èjígbò, fazendo com que durante um longo tempo não chovesse, trazendo a seca e a fome para a região.
Òsáàguíyàn desesperado e, sem ter seu amigo e gbágbáláwò por perto, procura outro advinho que, através do oráculo de Ífá, conta a Òsáàguíyàn que existia uma grande injustiça em seu reino, pois seu fiel amigo estava preso em seu calabouço e, este tinha entoado pragas para a cidade. Òsáàguíyàn rapidamente vai até a prisão e solta Áwòlèdè que, muito sentido por tudo o que passou, não perdoa Òsáàguíyàn e se embrenha na mata. Òsáàguíyàn foi atrás de Áwòlèdè e lhe suplicou que perdoasse sua terra. Áwòlèdé lhe concede o perdão com uma condição: todos os anos os moradores de Èjígbò, antes do período de seca, deveriam partir para a floresta densa, cortar trezentos feixes de varinhas e divididos em dois grupos, deveriam se golpear, uns aos outros, até que a varinha quebre ou se gaste.
Assim foi feito e todos os habitantes de Èjígbò, divididos nas províncias de Ísálè òdò e de Òkè Mápò, se golpearam com varinhas, lembrando o sofrimento de Áwòlèdè ao ser preso injustamente e a humildade de Òsáàguíyàn em reconhecer o erro. Após esse ritual, chamado de Lòrògún, a chuva tornou a cair e a cidade de Èjígbò tornou-se rica e próspera novamente.
Outra lenda africana relata que após a morte de Áwòlèdè, Èjígbò tornou-se a ter problemas com a seca e, seus habitantes passaram fome. Òsáàguíyàn preocupado com seu reino e temendo que sua principal comida, o inhame, se esgotasse, procurou um gbágbáláwò que pediu para que fizesse oferendas e sacrifícios, clamando a Èsú que de alguma forma trouxesse de volta a chuva ou resolvesse o problema com a fome da população. Ògún, o grande guerreiro, passava pela região de Èjígbò e ficou sabendo através de Èsú da situação do reino de Òsáàguíyàn. Para agradar e ajudar o grande òrísá, Ògún parte para mata e, auxiliado por seu exército, traz consigo inúmeros sacos de inhame, matando a fome do povoado. Òsáàguíyàn ficou muito grato à Ògún, fazendo uma grande festa chamada òjò ódò ou a festa do pilão, onde quilos de inhame foram pilados e distribuídos para a população. Em homenagem à Ògún, Òsáàguíyàn passou a usar a cor azul em seus apetrechos, lembrando sempre do òrísá que lhe ajudou na hora que seu povoado precisou.
Outros ìtàns contam que certa vez Òsáàguíyàn, ganancioso como era, queria ter o domínio sobre os mortos, roubando dos Òjés, sacerdotes do culto à ègún, o ísàn (varinha pertencente ao culto de Ègúngún, que tem o poder de invoca-los, controla-los e conduzi-los). Òíyá, deusa soberana do culto, ficou sabendo do roubo e entoando òríkís enfeitiçou o ísàn fazendo com que essa varinha dominasse Òsáàguíyàn, perdendo o controle e destruindo tudo a sua volta. Òsáàlúfón, como de costume, reunia todos os Òrísás em seu palácio em Ífón, para conversarem e discutirem sobre o futuro da humanidade. Òsóòguíyàn tinha ido nessa reunião, munido de seu átòrí e, num ato de cólera, acabou por partir para cima de todos os Òrísás, agredindo-os com sua varinha. Quando chegou próximo de Òsáàlúfón, surgiu um grande guerreiro das terras de Èkètí chamado Jágún, e prostou-se na frente do grande òrísá para protegê-lo da fúria de Òsáàguíyàn. Esse guerreiro luta contra Òsáàguíyàn que, após ter largado o átòrí, volta ao seu estado normal de consciência e pede perdão a Òsáàlúfón e a Jágún. Naquele momento Jágún é condecorado um òrísá fúnfún e passa a guardar o palácio de Òsáàlá, sendo conhecido como o grande guerreiro branco. Òsáàguíyàn por sua vez rende homenagem à Jágún e passa a ser chamado de Ájágúnàn, devolvendo o Ísàn à Òíyá e reconhecendo ela e os Òjés como os únicos capacitados a controlar os mortos.
Òsáàguíyàn rege a guerra em busca da paz. Representa o despertar do guerreiro e o início do combate. Senhor do nascer do sol e do despertar da humanidade, garantindo que o ser humano acorde todos os dias e levante de sua cama para agir sua vida.
É a divindade da juventude, da alegria e da prosperidade. Representa o combate cotidiano em busca de alimentos e conforto. É o dono do pilão (òdò) tendo o mesmo como símbolo de fartura e poder. Usa como ornamentos ídá, òfá, átòrí e uma mão de pilão. Veste branco com pequenos detalhes azuis (variando a tonalidade conforme a qualidade). Seu principal ritual é o Pilão de Òsáàguíyàn e o Lòrògún. Também é cultuado no ritual das águas de Òsáàlá.
Suas principais qualidades são:
  • Gbágbá Ájágúnàn- vem nos caminhos de Ògún, Jágún e Òíyá. Senhor do Lorogun,  sendo esta sua fase mais agitada. Usa ídá (adaga) e mão de pilão, além de átòrí. É o guardião do eixo da terra e quando irritado causa terremotos. Acompanha Ògún nas batalhas;
  • Gbágbá Pétíòdè- vem nos caminhos de Òdé, Òsún, Sàngò e Íyèmònjá. Representa a juventude, a pureza e a infância. Seria o pai do caçador de pombos, Òdé Ínlè sendo titulado por esse motivo de gbágbá – pai, Pètítì – pequeno, Òdé – caçador, ou seja, pai do pequeno caçador ou jovem caçador. É um grande caçador, senhor dos campos e planícies. É representado pelo nascer do sol;
  • Gbágbá Èpè- seria um òrísá fúnfún a parte, que aqui no Brasil, teve sua cultura aglutinada ao culto de Òsáàguíyàn. Vem nos caminhos de Òsún, Sàngò, Íyèmònjá e Òsáàlúfón. Era um grande guerreiro que morava nas colinas. Também era um exímio pescador, tendo como prato preferido o èjá (peixe) e por este motivo passou a ser chamado de Èpéèjá;
  • Gbágbá Dànkó- vem nos caminhos de Ègúngún, Òíyá, Íròkò, Jágún e Òsáàlúfón. Representa a fase de Òsáàguíyàn no qual está tomado pelo poder do átòrí e perde o controle sobre si mesmo, agredindo a todos. Muito ligado à Ègún, sendo necessário agradar sempre os ancestrais e passar variados Ègbós em seus filhos. Responsável por proteger as árvores de onde são tirados os átòrís, águídávís e ísàn. Senhor dos bambuzais (Dánkò);
  • Gbágbá Ákírè- Òrísá fúnfún presente desde o início da humanidade. É um òrísá de culto a parte que foi englobado na cultura de Òsáàguíàn. Aqui no Brasil seu culto não se expandiu muito, mas em òsóògbò na África, era considerado um grande guerreiro, rico e poderoso que, tinha o poder de castigar os aldeãos que agiam de forma contrária às leis da cidade, transformando-os em surdos e mudo. É o protetor dos surdos e mudos, tendo a propriedade de ajuda-los a se encaixar na sociedade, mesmo com sua deficiência;
  • Gbágbá Ètèkó- seria mais um Òrísá fúnfún que perdeu sua identidade e passou a ser cultuado como qualidade de Òsáàguíyàn e em algumas casas nem ser conhecido. Mora nas matas aos arredores de Ífón. Era um grande guerreiro, inquieto e muito habilidoso e por este motivo, passou a guardar a fronteira de Ífón, protegendo a cidade dos inimigos; 
Saudação: Èpè Èpè gbágbá!
Cor: branco e azul;
Filiação: Òsáàlúfón e Íyèmònjá;
Sincretismo: Menino Jesus de Praga;
Elemento: ar e terra;
úmero: 8 (oito);
Òdú: Èjíònílè;
Dia da semana: sexta-feira;
Oferendas: inhame pilado, bolas de arroz, acaçás, ègbò, frutas, doces, èmú, galinha d’angola, cabritos, frangos, pombos, coelhos, etc.;
Ervas: Manjericão branco, colônia, folha da costa, malva branca, algodão, ipê, camomila, etc.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Lisá
Seria um dos principais deuses da liturgia Fón. Juntamente com Mawú, sua esposa, é o responsável por toda a criação da terra e dos demais voduns. Lisá é cria de Dangbé, a serpente da vida, e mora nos céus. É o governante supremo, que comanda todo o planeta, sendo ele o próprio SOL. É um vodun quente, austero, que vigia toda a raça humana e as condena, castigando-as conforme seus crimes contra a vida e a natureza. É um vodun velho, sem paciência, diurno, apreciando o calor e a claridade. É pai de muitos voduns e principal vodun representante do clã de Lisá. Veste o branco ao extremo, e assim como Òsáàlúfón do culto iorubá, não aceita outras cores em seu culto. Aparece adornado com jóias reluzentes, e com um cajado, com um sol em sua extremidade. Em algumas partes do Dahomey, escutamos lendas afirmando que Mawú e Lisá seriam os deuses supremos, cultuados juntos, sendo chamados de Mawú-Lisá, sendo comparado dessa forma ao grande Òlóòrún dos iorubás. Porém, outras lendas contrariam essa afirmativa, tratando de Mawú e Lisá como deuses supremos sim, porém abaixo de Òlóòrún, sendo enviado pelo próprio para governar na terra e fundar civilizações. 
Por mais que ambos os deuses andarem sempre juntos e ser impossível louvar uma divindade sem lembrar da outra, Mawú e Lisá são muito diferentes, e cada um defende um princípio e possui uma visão oposta sobre os humanos e a terra. Por este motivo que Lisá foi morar no sol e Mawú, sua esposa foi residir na lua. 
Lisá é o princípio masculino, a divindade da brutalidade e do instinto. Apesar de ir morar no sol, algumas vezes ao ano Lisá vinha a terra, para entender as necessidades dos seres humanos, para ajudá-los e corrigi-los. Nessas passagens terrenas, Lisá deixou descendentes que mais tarde seriam divinizados. Mawú nunca mais veio a terra e por esse motivo e, por ser bondosa e compreensiva, os homens sempre chamavam mais a Mawú do que Lisá e, de tanto invocar Mawú, os visitantes de Dahomey acharam erroneamente que Mawú seria o deus supremo de Dahomey, correspondente ao Deus único do cristianismo. Os Fóns acreditam que quando há um eclipse, Mawú e Lisá se encontram e, nessa ocasião fazem amor, dando origem a mais voduns para ajudarem a humanidade. 
Lisá tem muito haver com o Òsáàlúfón dos iorubás, pois da mesma forma representa a supremacia, a hierarquia e a sabedoria. Possui poucos filhos no Brasil, devido a falta de fundamentos para iniciá-lo. 
Alguns ainda afirmam, que Lisá seria o mesmo Òsáàlá (título dado aos òrísás fúnfún, na África relacionado diretamente a Òsáàlúfón), e que a diferença seria apenas a pronuncia e o dialeto, traduzindo da linguagem ioruba para o fón. 
De qualquer forma, Lisá possui muitas coisas que o difere de Òsáàlá, até por que, segundo as lendas iorubás Òsáàlá possui um gênio diferente, sendo bondoso e benevolente. Lembremos que jamais devemos confundir os Òrísás com os voduns, por mais que possuam lendas e domínios em comum.
As divindades mais conhecidas que formam o clã de Lisá são:
*Lisá Gaman- Vodun masculino velho, sendo filho de Mawú e Lisá e herdando muito a característica de sua mãe. É calmo e benevolente, olhando sempre com bons olhos para a humanidade. Usa cajado de madeira;
*Oulisá ou Olísá- vodun masculino que habita as águas oceânicas. Pertence ao panteão do trovão, regendo as águas frias e calmas. Veste branco e prateado e usa espelho e adornos de conchas;
*Lisá Lumêji- vodun masculino jovem e guerreiro. Usa alfanje e outras armas de guerra. Aprecia adornos de metais prateados, sendo muito quente e arredio. Seria esse vodun o responsável pela gravidade e pelo eixo da terra. É muito parecido com o òrísá Òsáàguíyàn dos iorubás;
*Lisá Agbajú- vodun masculino e muito velho. Tem livre acesso entre o céu e a terra sendo o portador das mensagens de seu pai Lisá. Segundos as lendas ele seria um pombo branco que leva os recados de Lisá aos seres humanos;
*Lisá Akazun- vodun masculino que faz a ligação entra a humanidade e Lisá. Ele leva a resposta das pessoas as mensagens de Lisá, fazendo o trajeto contrário ao de Agbajú;
*Lisá Aiyzú- vodun masculino, jovem e guerreiro. É mais ligado a sua mãe Mawú, e seria o responsável pelas mensagens da mesma para a humanidade. Recebe suas oferendas a noite e veste branco e prata;
*Lisá Molú- vodun masculino e velho. Seria esse vodun o responsável pelas tradições e liturgias, tendo a função de levar a cultura através das gerações, impedindo que se perca ao longo dos tempos;
*Lisá Wete- vodun masculino coligado a cultura dos Tohousu. É coberto de acnes (espinhas) não sendo iniciado em nenhum adepto. responsável por proteger as pessoas com doenças de pele;
*Lisá Gwêgwê- Vodun masculino guerreiro. Possui o gênio muito parecido com o do seu pai Lisá, sendo impetuoso e impaciente, ajudando a castigar a humanidade conforme seus erros. Veste branco e azul;

Existem diversos voduns do clã de Lisá, cada um com sua particularidade porém, sempre fúnfún, adornados de branco e prata. Dentre todos os filhos de Mawú e Lisá se destaca Nànàn, a grande rainha de Dahomey, que na terra era a principal sacerdotisa de sua mãe. Mawú e Lisá tinha como irmãos Aido Wuedo e Dangballa, que representam respectivamente o arco-iris e seu reflexo nas águas, sendo enviados juntamente por seu genitor Dangbé para a terra cada um com sua função. Mawú e Lisá povoaria o planeta e criaria civilizações e Aido Wuedo e Dangballa o nutriria, sendo responsável pelo abastecimento de água, ar, e todos os demais elementos necessários para a vida na terra.
Lisá com certeza é uma divindade de extrema importância, sendo muito temido dentro da religião por seu temperamento, mas por outro lado, sendo indispensável para o cumprimento das leis e a organização da sociedade.
Aho gbo gboy Lisá!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Íyèmònjá
Seria dentro do culto africanista o òrísá mais conhecido e cultuado no Brasil. Seu nome significa Íyè Íyè - mãezinha, ómò - filhos, èjá - peixe, ou seja, a mãe dos filhos peixes. Era filha de Òlóòkún, a divindade dos mares (ora tida como masculina ora como feminina)  com Òlóòsá, a divindade das lagoas. Segundo seus ítàns, Íyèmònjá teria sido esposa de Òdúdúwà, Òràníyàn e Òsáàlúfón, sendo mãe de quase todos os òrísás do panteão iorubá. Outra lenda africana conta que Íyèmònjá tinha um filho chamado Òrúngàn, o deus do ar. Òrúngàn era apaixonado pela mãe e acaba por estuprá-la. Desesperada Íyèmònjá foge e acaba caindo, rasgando seu ventre e deles nascendo todas as demais divindades. De qualquer forma, independente das lendas, Íyèmònjá para os iorubás aparece sempre como a mãe dos demais deuses, sendo ela a origem dos grandes reis africanos e mãe dos ímòlés mais conhecidos e cultuados tanto na África quanto no Brasil. Íyèmónjá era uma jovem guerreira bela e de seios fartos. Usava ágbègbè e ídá (espada), dominando todo o reino de seu pai Òlóòkún. Certo dia Íyèmònjá foi vítima de uma emboscada feita pelo exército de Òdúdúwà que, seguiu-a até a praia para derrota-la. Sozinha, Íyèmònjá não tinha como derrotar todo o exército, então espalhou na praia bastante espelhos grandes e virados de costas para o mar. Quando o exército de Ífé chegou até a praia deparou-se com inúmeros guerreiros e a frente deles Íyèmónjá. Na verdade, não eram guerreiros, apenas era o próprio reflexo do exército de Ífé nos espelhos. Temendo perder a batalha, pois pareciam estar em menos número, o exército partiu, deixando Íyémònjá em paz. Por este motivo que Íyèmònjá quando aparece paramentada em festividades, sempre usa o ágbègbè virado com o espelho pra frente, pois a mesma não o usa como vaidade e sim como arma de combate. Da mesma forma que o ágbègbè de sua gilha Òsún, o seu representa a feminilidade e o ventre, vinculando-a diretamente ao culto das Íyámí Òsòròngá.
Íyèmònjá aqui no Brasil tem seu culto diretamente vinculado ao mar, perdendo o aspecto origianl se divindade dos rios. Todos os anos, milhares de fiéis, adeptos ou não da religião, vão a beira da praia no final do ano e, agradam Íyèmònjá, entregando flores, velas, perfumes, barcos repletos de joias, champanhe e se banhando nas águas do mar, desejando que no novo ano que está por vir, Íyèmònjá possa trazer saúde, amor, prosperidade, etc. Pelo Brasil ser um país tropical e religioso, os brasileiros tendem a ter um vinculo maior com a praia e uma grande admiração pelo mar. Esse fascínio faz com que muitas pessoas mesmo não sendo adeptas do candomblé, agradem Íyèmònjá, tornando-a a divindade mais conhecida e cultuada no país.
Na Bahia, Íyèmònjá é sincretizada como Nossa Senhora dos navegantes, sendo cultuada em fevereiro, onde milhares de fieis vão até as praias e levam presentes a senhora do mar, entregando balaios e levando de barco as oferendas para serem depositadas no meio  do oceano. Já aqui no Rio de Janeiro, Íyèmònjá é sincretizada como Nossa Senhora da Glória ou Nossa Senhora de Fátima, porém suas festividades acontecem no final do ano. É cultuada na festa das íyágbás, juntamente com todas demais divindades femininas. 
Íyèmònjá é tida como senhora de todas as cabeças, ou íyá òrí, ganhando esse título devido a seu grande poder sobre os pensamentos das pessoas e o raciocínio. É a divindade responsável pelo casamento, pelos filhos e pela família, regendo todo o bem estar da mesma e formando sua árvore genealógica, sendo responsável também por todos os ensinamentos, a educação e tudo o que se é passando de geração a geração. 
Suas principais qualidades são:
* Íyá Másè Málé- também chamada de íyá òrí, essa íyágbá não é iniciada em nenhum neófito. Vem nos caminhos de Sàngò, Òrí e Òsáàlá. É tida como a mãe de todas as cabeças, sendo a protetora do raciocínio, doas pensamentos e das lembranças. É tido como um òrísá a parte e como a verdadeira mãe de Sàngò;
*Íyá Ògúnté- vem nos caminhos de Ògún. É cultuada no rio Ògún (òdò ògún), localizado em ágbéòkútá na África, sendo uma amazona guerreira, protegendo tosa a superfície de rios e praias, castigando as pessoas que fazem uso das pesca predatória. É muito quente e perigosa, sendo completamente coligada ao culto de seu filho Ògún;
*Íyá Sèsú- vem nos caminhos de Òsànýn, Òdé, Òsún, Nànàn e Íyámí. É a senhora da criação, sendo representada pela colher de pau e protetora dos Jígbònàn ou Hunsó. É a mãe da liturgia e da doutrina espiritual, mantendo o respeito e a ordem dentro das casas de ásé;
*Íyá Tònàn- vem nos caminhos de Èsú e Sàngò. É a senhora das ressacas e das grandes ondas. Tem o domínio sobre as Tsunamis e os maremotos. Representa a própria fúria da natureza, sendo muito quente e geniosa;
*Íyá Lòjá- vem nos caminhos de Sàngò. É a senhora do sérè, instrumento de evocação do òrísá Sàngò, simbolizando os movimentos da terra e o som da chuva caindo, sendo a única íyágbá a segurá-lo e manuseá-lo;
*Íyá Ságbá- vem nos caminhos de Òsáàlá. Seria a esposa de Òsáàlá, representando a fase velha de Íyèmònjá, vestindo apenas branco. Comanda as camadas mais profundas do mar, onde não há luz solar e as águas são calmas e frias;
*Íyá Áwòíyò- também chamada de Áwágbò, vem nos caminhos de Èsú e Òdé. Mora nas águas profundas e está ligada a reprodução dos peixes e toda vida marinha. É muita apegada a seu filho Òdé, querendo que o mesmo fique sempre ao seu lado, longe das florestas de Òsánýn, invadindo a terra para ir busca-lo;
*Ágbòtò- É um vodun dahomeano que representa o encontro das águas doces com as águas salgadas. É cultuada tanto como Òsún quanto como Íyèmònjá, sendo responsável pelo abastecimento de toda a água do organismo, nutrindo-nos e mantendo-nos vivos;

Saudação: Òdò Ífé Íyágbá! òdò íyá! Èrú íyá!
Sincrestismo: N.S. dos Navegantes, N.S. da Glória;
Oferendas: Arroz, ègbò temperado com dendê e camarão (ègbò íyá),  peixes, etc.
Cor: Cristal, verde, azul;
elemento: água;
Número: 4 (quatro) ou 9 (nove);
Òdú regente: Íyórósún;
Algumas ervas: pata-de-vaca, imbaúba, colônia, patchouli, saião, etc.
Dia da Semana: Sábado.