quinta-feira, 26 de maio de 2011

Òsún
De todas íyágbás conhecidas a nível Brasil ou África, essa senhora sem dúvida é a que mais me emociona ao postar nesse blog. Não por que se trata de meu Òrísá ou Ádjúntó (até por que não é o caso) mas, pela sua importância em minha vida e seu significado dentro do candomblé.
Òsún é filha de íyèmònjá
e Òsáàlá (em alguns ítàns òrúnmíllá), e seu culto é extremamente ligado as águas. Seria inicialmente casada com Ògún, que por seu instinto agressivo e expansivo, passava longos tempos na guerra deixando òsún sozinha por varias vezes. Em um desses momentos de carência, Òsún se apaixonou por Òdé e acabou por engravidar. Temendo a fúria de ògún, abandonou a criança recém nascida nas matas que, mais tardar seria encontrada por Òíyá, senhora dos ventos e tempestades. Essa criança se chamaria Òlóògúnèdé que, após sua adolescência se tornaria principe do reino de sua mãe biológica.

Outros ítàns(lendas) contam que òsún fora casada com Sàngò, sendo uma de suas esposas. Era a mais doce e bela, sendo aquela que o grande rei mais gostava de desfilar e aparecer em público. Sua beleza era motiv
o de várias crises de ciúmes, tanto do grande òrísá dos trovões quanto de suas demais cônjuges, dando origem a muitas histórias contadas até hoje. Uma delas friza a guerra entre Ógbà (deusa guerreira e caçadora, senhora dos alimentos que são oferecidos as divindades) e Òsún, que enganando-a, fez com que a própria cortasse a orelha para por no ámálá de Sàngò, acreditando ser esse o ingrediente secreto para o seu marido ter mais amor por Òsún. Outra conta que Sàngò em crise de ciúme, prendeu òsún no alto da masmorra, ficando lá por longos tempos até ser salva por Èsú que pedindo auxilio a Ífá, transformou-na em um lindo ílé (pombo), sendo um dos motivos que esse animal não faz parte de seus sacrifícios, substituíndo-o pelo ádágbá (pomba rola ou juriti).
Òsún devido a sua grandeza é dona de um vasto número de ítàns conhecidos no Brasil, cada um contando um pouco de sua história e mostrando como é presente no cotidiano do candomblé e de seus adeptos. Seria Òsún a senhora do íyáwò (adepto iniciado no culto), representado pelo ètún ou kònkén (a galinha d'angola). Ela rege cada emblema usado pelo mesmo, desde o kèlè, ásó, ídés, ádòsú, curas, etc. além de reger também tudo o que se passa dentro do hónkó, desde rezas, fundamentação e ensinamentos. Seu maior símbolo é o òkòdídé (pena do papagaio africano) que simboliza o ciclo menstrual, a fertilidade e o poder feminino e é usado pelos íyáwòs em sua iniciação ou cada vez que for concluir suas obrigações de ano.

Seria a rainha de ìjèsá, uma nação nigeriana e , também nome do rítmo o qual Òsún mais gosta de dançar. Dona do rio Òsún, onde possui uma sociedade secreta de culto as èléíyés (outro nome da divindade íyámí òsòròngá).
Deusa do ouro, da vaidade e da beleza. Tem a propriedade de reger a fertilidade, desde a fecundação até a hora do nascimento, onde passa a cuidar da criança até seus sete anos de idade. Òsún é a senhora das águas doces, da queda d'água e dos rios. Muitos são seus filhos no Brasil, e grandes sacerdotizas desse òrísá tiveram destaque dentro do culto. É comemorada em todo mês de maio, outubro ou dezembro, junto as demais íyágbás. Seu ritual chama-se ípété, onde sua oferenda de mesmo nome é rodada no barracão e distribuída entre os adeptos, acompanhado de frutas, flores e doces. Outro ritual não tão conhecido porém, de grande importância chama-se Ádègàn, onde òsún vem paramentada e distribui entre a sociedade (ègbé) o òkòdídé e o ògbí. Esse ritual não é feito em todas as nações, até por que engloba vários fundamentos relacionados as íyámí e só foi passado para sacerdotes cujo culto descende de íjésá.
Adora adornos dourados, jóias e perfumes. Tem como símbolo o Ágbègbè (leque de metal, usado pela reale
za), o jíjí (espelho) e o ògbé ou ídá (adaga). Está presente na maioria das festividades devido a sua importância e sua ligação com os demais Òrísás. Deusa da intuição e da vidência, sendo por esse motivo, um dos òrísás que rege os oráculos, em especial o mèrídílògún (jogo de búzios). Òsún representa o poder feminino uma vez que só a mulher pode dar a luz, sendo o símbolo da fertilidade. Deusa da dança e do canto, Òsún é a própria senhora do Sírè, roda de candomblé, sendo responsável pelos cargos, pelos cântigos e todos os atos que o compõe.

É também de suma importância em relação ao lado afetivo da humanidade, sendo a divindade que rege o amor, a sensualidade, a paixão, o casamento e a família. Deusa do encanto e de tudo o que brilha, Òs
ún é uma das íyágbás mais conhecidas e cultuadas no Brasil, tema de muitas músicas de artistas famosos, que retratam amor a essa grande divindade.
Muitas são suas variações, devido aos territórios os quais essa divindade é cultuada na África. Veja abaixo as "qualidades" mais conhecidades de Òsún:


*Òsógbò- òsún cultuada na região de òsógbò na África. Vem nos caminhos de íyèmònjá e Sángò. Seria a origem das demais variações. É cultuada nas nascentes dos rios, onde as águas são mais puras e límpidas. Protege as mulheres que vão parir, sendo a senhora das contrações e da água de parto;
*Òpáàrá- Seu nome significa òpá (braço) árá (raio) ou o braço de raio. Vem nos caminho de Òíyá, Ògún e Sángò. É jovem e guerreira, senhora da superfície dos rios. Senhora da navalha (ògbéfárín). Usa ág
bègbè não como vaidade mas como arma de batalha. Ajudava ògún na forja e é companheira de guerra de Òíyá.
*Kárè- vem nos caminhos de Òdé. É uma exímia caçadora que sai das águas para ir caçar na florest
a. Senhora dos animais que vivem tanto na água quanto na terra, regendo os anfíbios, répteis, e alguns pássaros aquáticos. Usa òfá e Ágbégbé;
*íyè íyè òkè- vem nos caminhos de Òkè, òdé e íyèwá. É a senhora das quedas d'água e das nascentes dos rios. Dona do canto e da voz. Tem a propriedade de proteger os músicos e aqueles que usam da m
úsica para sobreviver. Mora no alto das montanhas e é uma grande caçadora. Tem como símbolo a lira e o canário belga;
*Íyépòndá- òsún cultuada na região de Ípóndá na África.Vem nos caminhos de Òlóògúnèdé,òdé,
Sángò e Íyèmònjá. É a verdadeira mãe de Òlóògúnèdé, casada com òdé Írílé. É jovem e guerreira, sendo a senhora da doçura e do encanto. rege as crianças desde o nascimento até os sete anos de idade quando as entrega para íyèmònjá;
*Ìjímú- Òsún no aspecto mais velha e perigosa. Vem nos caminhos das íyámí òsòròngá, Nánàn, òmólú e òsáàlá. É completamen
te ligada ao culto as ájés, sendo muito feiticeira. Senhora dos Òkútás, sendo responsável pela existência do assentamento e do culto aos Òrísás em si. Persegue abortos e é a dona das separações amorosas;
*Òmínígbú- Vem nos caminhos de Òmòlú e Nànàn. Seu nome significa òmín (água) ígbú (fundo ou profundezas) ou seja águas profundas. Senhora das águas profundas, regendo todos os seres que nelas vivem. Senhora do lôdo e das folhas mortas que caem no fundo dos rios;
*Ájágúrá-Vem nos caminhos das íyámí e de òsáàlá. É a senhora de todas as aves de penas coloridas e das aves aquáticas.
É a verdadeira dona do òkòdídé, representa a menstruação, a fertilidade, a sensualidade e o poder feminino;
*Áíyálá
- Vem nos caminhos de ògún e òmólú. Segundo as lendas ògún não queria mais trabalhar, mudando todo o dia-a-dia da humanidade e dos deuses desesperados por não terem mais os metais tão uteis. Essa òsún foi aquela que encantou ògún e fez com que o mesmo voltasse a trabalhar. É invocada no ásèsè e representa as lágrimas de perca por um ente querido;
*Ágbòtò- É u
m vodun Djèdjè de culto próprio porém assimilado a cultura de òsún e/ ou Íyèmònjá. Senhora da pororoca e do encontro das águas. rege todas as èkédjís, não aceitando que rodantes participem de certos òròs;
*íyè íyè òdò- vem nos caminhos de íyèmònjá, òmólú e òsáàlá. É velha e simboliza o perdão e a resignação. Senhora soberana dos rios, dona das águas calmas e férteis. Rege todo ecossistema dos rios, protegendo-o e fazendo com que seja contínuo;
*Pópólóòkù
n- vem os caminhos de Òrúnmíllá e Èsú. É a dona das vistas e senhora dos caminhos de òdú. Tem a propriedade de dar a vidência e a intuição para os portadores dos oráculos. Os mais antigos dizem que não se faz mas essa divindade;
*Ípètú- Vem nos caminhos de Èsú, òíyá e Òmólú. Dona do úrúpí, ágbò, etc. Tem a propriedade de finalizar todas as obrigações, encerrando o ponto de energia. Senhora do cheiro, dos perfumes e dos maus cheiros do corpo;
*íyè íyè ògá- vem nos caminhos de íyámí e Nànàn. Representa o fim, o término de um relacionamento, o aborto e o sofrimento. É a senhora dos feitiços e das amarrações. Rege todo tipo de encantamento para o amor e para separação;
*gbáwílà- vem nos caminhos de Òsúmárè e íyèwá. Segun
do os ítàns essa senhora conhece o segredo do arco-íris, regendo as particulas de água que os forma. Essa òsún apaga o fogo com suas águas para que a serpente não seja queimada;
*mèrín mèrín- vem nos caminhos de íyèwá. Segundo as lendas é muito agarrada com Ìyèwá, ajudando em sua fuga transformando-a em uma cobra d'água. É a dona dos íyáwòs em seu período de reclusão, regendo todos seus pensamentos no período de kèlè. rege as pragas dos íyáwòs.


saudação: íyè íyè ò!Sincretismo: N. S. da conceição;N.S. de aparecida;
Oferendas: òmóòlókún, ípèté, lè lè, doces, frutas, etc.
cor: Amarelo ouro;
elemento: água;
número: 5 (cinco);
òdú regente: òsè;
Algumas ervas: òrírí, colônia, patchouli, agarradinho, etc.
Dia da semana: sábado.



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