domingo, 11 de setembro de 2011


Òlóògúnèdé

"Também chamado de Lògún- èdé, esse senhor seria fruto do amor proibido entre Òdé Írínlé e Òsún íyèpòndá. Segundo os ítàns, Òsún era casada com ògún e vivia sempre só, pelo fato do marido, com sede de batalha e com propósito de expandir território, estar sempre na guerra. Nesse período de solidão e carência, òsún acabou por se apaixonar por um grande caçador, e engravidou dando a luz a um lindo menino. Com medo da fúria de ògún, òsún abandona o menino nas matas e pede a Ólóòrún que tome conta e guie aquele ser inocente e indefeso. Áféfé (o vento) soube do acontecido e contou pra sua rainha, Òíyá o que òsún tinha feito. Òíyá pegou aquele menino e criou como seu próprio filho, ensinando a pescar, caçar, etc. Certo dia, esse menino, chamado de Òlóògúnèdé, estava passeando pelas matas, quando escutou um lindo canto e foi analisar. Se deparou com uma mulher, se banhando nas águas. Ficou a espreita, admirado com tanta beleza quando Òsún, olhando em seu ágbègbè, percebeu que estava sendo vigiada e em um rápido movimento, usou o raio do sol refletido em seu espelho para enfeitiçar òlóògúnèdé, transformando em um cavalo-marinho. Novamente Áféfé pôs- se a contar tudo para òíyá que foi tirar satisfações com òsún. Foi quando a senhora dos ventos contou quem era o menino para òsún, que chorando emocionada, desfez o feitiço e acolheu òlóògúnèdé como seu filho, não querendo mais que se afasta-se do reino das águas. "

Essa lenda acima deixa bem frisada a relação entre òsún e seu filho e a importância que a mesma tem em seu culto, além de explicar a origem de òlóògúnèdé e a importância que Òíyá teve em sua criação. Por este fato òlóògúnèdé só aceita a mesma como ádjúntó (juntó ou segundo santo), por ser a única presente em sua formação, a responsável pelos seus ensinamentos e ser uma íyágbá livre de preconceitos.

Representa a juventude, sempre mostrada através da figura de uma criança, sendo tido como um dos mais jovens òrísás do culto. Representa o encanto, a beleza, a sensualidade. Unifica em um só ser a essência de seus pais, tendo características de ambos e sempre sendo necessário cultuá-los para que seu culto seja formado.

É um grande caçador, partindo para as matas para caçar com seu pai òdé, nessa fase, sendo responsável pela prosperidade e pela abundância, garantindo o alimento para a humanidade, o pão de cada dia, o sustento. Em certas casas é feito como òdé, tendo seu culto completamente ligado ao mesmo.

Também é de òlóògúnèdé o reino das águas doces, sendo reverenciado como o príncipe de Íjèsá (ijêxá), cidade na qual Òsún é a dona. Por esse motivo, òlóògúnèdé só dança o íjèsá, possuindo o mesmo como seu principal ritmo.

Algumas pessoas, costumam dizer que Lògún seria de natureza andrógena, sendo 6 meses mulher e 6 meses homem. Nos 6 meses mulher moraria nos rios junto com òsún e se alimentaria de pesca e nos 6 meses homem, moraria nas matas com seu pai òdé, se alimentando de caça. Na verdade, òlóògúnèdé é ògbóró (masculino) e sua dualidade se dá pelo fato de atribuir em seu culto artefatos do culto de seus pais, tais como roupas e paramentos. Usa òfá (arco e flecha) e ágbègbè, símbolos de fartura e vaidade.

Sua cultura é mais complexa do que parece, repleta de fundamentos necessários para seu encantamento e iniciação. Seus òròs começam na natureza, onde após determinados ègbós, seu filho passa por banhos de ervas e encantamentos para poder buscar esse òrísá e sua essência. Sempre se cuida de òdé, òsún e òíyá para os filho de Lògún pois tratam-se dos òrísás do caminho desse èlèdá. Muitos são seus filhos aqui no Brasil, principalmente no estado do Rio de janeiro, onde seu culto se expandiu de uma forma espantosa.

Na África negra, dizem que Lògún seria na verdade Ólòlún òdé – o guerreiro caçador – o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de òsóòsí. E se observarmos a cantiga de òsóòsí, veremos que expressão òmó òdé, ou seja, filho do caçador, é constante, podendo inferir certa lógica nas histórias contadas pelos africanos.

Outros ítàns africanos contam que Lògún faz parte dos Tògbí òdé, assim como ògún, òdé, etc, e por isso invocam-nos como òmó òdé (filhos do caçador). É uma divindade misteriosa, tido como o mais belo deus africano, representando tudo o que é belo e reluzente. Gosta de frutas, doces, flores, sempre recebendo suas oferendas na beira dos rios. Sua principal oferenda é o òmólóòkún e o ásòsò, comidas de sua mãe e pai respectivamente. Está sempre presente nas festividades do ágbádò e ípèté, pelo amor e reverenciamento ao seus genitores. Veja abaixo as mais conhecidas variações desse òrísá:

*ònígbáýn - Representa a fase mais jovem ou recém nascida dessa divindade. Vem nos caminhos de òsún, òdé, ígbèjí, íyèmònjá e òsáàlá. Senhor da inocência, representando o lado puro da criança. Tem propriedade sobre a formação do feto e do nascimento do bebê, sendo o senhor da água do parto. É mais coligado ao elemento água e a sua mãe òsún, gostando de artefatos dourados e podendo usar filá (chorão). Em seus assentamentos encontramos brinquedos, necessários para encantar essa variação de Lògún.

*Álàpóònàn- vem nos caminhos de òdé, òsún, Sàngò, òíyá e íyèmònjá. Representa a fase rebelde e mais quente de Lògún, sendo o senhor da juventude, tendo a propriedade de proteger as crianças na fase da adolescência, fase a qual o ser humano passa por muitas mutações e aprendizados. Tem grande poder sobre a formação do caráter das pessoas, ajudando na formação acadêmica e profissional. Rege o organismo e toda transformação do mesmo. É um grande caçador, sendo responsável junto com òdé pelo pão de cada dia.

*Èlègbòguè ou òdé Lòkò- vem nos caminhos de Èsú, ògún, Òdé, òíyá e òsún. Nessa fase Lògún é cultuado como senhor da alta magia, estando coligado ao culto das íyámí, uma vez que, é filho de òsún e o reino de sua mãe também é de sua propriedade. Senhor da sobrevivência sendo responsável pela estrutura familiar, criação das crianças e de manter a juventude na 3ª idade. Rege as camadas da pele, poros e cabelos. É um grande caçador e rege o interior das matas e animais que vivem tanto na água quanto na terra.

Saudação: èrú áwò! òdé lòsí lòsí!
Sincretismo: São Miguel Arcanjo;
Oferendas: òmóòlókún, ásòsò, doces, frutas, etc;
cor: Amarelo e azul;
Elemento: água e terra;
Número: 5, 6 e 16;
òdú regente: ògbárá;
Algumas ervas: pèlègún verde e amarelo, òrírí, Ákòkò, etc;
Dia da semana: Quinta-feira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário