quarta-feira, 16 de setembro de 2009



Òsànýn
é com certeza ums dos mais importantes òrísás da cultura yorubana. É muito complicado pra mim, mesmo como pesquisador e sacerdote do culto aos vòdúns e òrísás, estar falando sobre essas divindades e, de certa forma, desmestificando algumas de suas histórias e misturas de cultura. Sem querer ser polêmico, mas já sendo, estou deixando bem claro que Vòdún e Òrísá são divindades diferentes, mesmo que tenham muitas coisas em comum, inclusive cores, ritos e domínios. Òsànýn e Àgué, desde de que o candomblé nasceu, vem sendo comparados e misturados como um só deus, fato esse que não é verídico pois, suas lendas, suas origens e sua essência se diferem, deixando bem claro suas individualidades. Segundo os ítàns, Òsànýn aprendeu a usar magia e a conhecer o poder das ervas com um gnomo africano chamado Àròní, que segundo os mais velhos tinha apenas uma perna. Òsànýn possui um culto repleto de mistérios e, que até hoje pouco se sabe sobre a verdadeira natureza desse Òrísá. Assim como quase todos òrísás, Òsànýn seria filho de yèmònjá (e não de Nànà, como o vòdún Águé) e tinha como pai o deus da advinhação Òrúnmíllá.
Um dia, Òrúnmíllá, desejou fazer uma grande plantação, ordenou a Òsànýn que cortasse o mato de suas terras. Diante de uma planta que curava dores, Òsànýn exclamava: "Esta não pode ser cortada, é as erva das dores". Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo". E assim por diante.
Òrúnmíllá, que era um gbágbáláwò muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Òsànýn ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas. E assim Òsànýn ajudava Òrúnmíllá a receitar a acabou sendo conhecido como o grande médico que é. Essa lenda friza a ligação entre o deus das ervas e o deus da advinhação.
Òsànýn é originário da região de Íráò na Nigéria, onde seu culto é mais atuante e ainda pode-se encontrar até hoje, sacerdotes e iniciados no culto a essa divindade. Proprietário de uma cabaça chamada de ígbá òsànýn, onde são guardados todos os seus segredos e fica pendurada no pé de íròkò, sobre os cuidados das Èléíyés. Seu culto é completamente ligado ao interior das matas, onde é seu reino. Òsànýn é altamente ligado a magia, usando o conhecimentos sobre as ervas para a medicina e também para o preparo de poções e feitiços. Tem como símbolo uma haste com sete setas, em forma de folíolos de uma folha e um pássaro em cima(èíyè), mostrando sua ligação com a magia e com as íyámí òsòròngá. Senhor do sangue preto, retirado do sumo das ervas, dos minérios e de pós das árvores. Todo ritual dentro do candomblé, se faz uso das ervas. A essência desse òrísá é muito importante na purificação de ambientes, objetos rituais, assentamentos e até mesmo pessoas. Sem folha não há òrísá, sendo de extrema importância saber cultuar Òsànýn, desde o colhimento das ervas até o seu guinar. Existe todo um preparo para se colher ervas, tendo um cuidado específico e uma pessoa em particular praparada para isso chamada de òlóòsànýn (variando para gbágbálóòsànýn ou íyálóòsànýn). Sempre que se vai para mata para colher ervas, é necessário agradar o deus delas e seus criados, normalmente com fumo de rolo, vinho, moedas, velas, ásòsò, etc. Existe toda uma reza para colhe-las, guiná-las, espalhá-las, sendo indispensável saber essas rezas para dispertar o Ásé das folhas. A sásànyà é o ritual mais comum dentro das casas de candomblé onde, são entoadas cantigas para Òsànýn enquanto se preparam as ervas para rituais, desde o àgbò(banho de ervas) até a reclusão de um iniciado. Dificil falar de Òsànýn sem falar de Osóòsí uma vez que, ambos estão coligados por natureza e dividem um mesmo habitate. Algumas lendas, contam que Òsóòsí fora enfeitiçado por Òsànýn e, foi morar no interior das matas com o mesmo, ora como amigo ora como amante. Claro que muitas lendas vem a deturpar o culto aos òrísás mas, vale frizar que ambos fazem parte de uma mesma natureza e, sejam como amantes ou amigos, um está extremamente relacionado ao outro. Todas as ervas pertencem à Òsànýn porém, ele dividiu com cada òrísá o seu poder, dando para cada divindade folhas para seus cultos. Dizem os ítàns que ele fora forçado por Òyá que, por ordens de seu marido Sàngò, fez uma ventania e desprendeu a ígbá òsànýn do galho, espalhando todas as ervas para as demais divindades. Com certeza, seu culto é cheio de mistérios e magia, sendo um Òrísá mistico, oculto, que vive no interior das florestas em companhia das èlòíyés e de ègúns encantados que os serve. "kò sí èwè kò sí Òrísá" certamente, sem folha não há òrísá, sem folha não há vida, sem folha não há culto...
Saudação: Ásá ò!Èrú èjé!
Sincretismo: Santo Expedito;
Oferendas: abóbora moranga, fumo de rolo, ásòsò, etc;
cor: verde e branco;
elemento: terra e ar;
número: 7(sete) e 14(quatorze);
òdú: Íká;
Algumas ervas: todas as ervas pertencem à Òsànýn;
Dia da semana: quinta-feira.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo excelente conteúdo!!!!!!!

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  2. obrigado amigo!!! to me esforçando para poder fazer sempre o meu melhor! Um grande abraço!!

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